Injustiça faz pessoas preferirem vingança a ganhar dinheiro

Injustiça faz pessoas preferirem vingança a ganhar dinheiro
Foto: Imagem meramente ilustrativa

Sunday, 01 February 2026

Pesquisa revela que o desejo de revanche supera o lucro financeiro.

Você já abriu mão de um benefício apenas para garantir que alguém que te prejudicou não saísse ganhando? Um estudo analisado pelo economista Samy Dana mostra que, diante de situações percebidas como injustas, o cérebro humano tende a priorizar a punição do "agressor" em detrimento do próprio ganho financeiro. O comportamento, que desafia a lógica da economia tradicional, revela muito sobre como tomamos decisões em Blumenau, seja no comércio ou nas relações de trabalho.

O Jogo do Ultimato: a lógica da revanche

A base dessa descoberta vem do chamado "Jogo do Ultimato". Nele, uma pessoa recebe uma quantia e deve propor como dividi-la com outra. Se a segunda pessoa aceitar, o dinheiro é distribuído; se recusar, ninguém ganha nada. Pela lógica racional, qualquer valor acima de zero deveria ser aceito, mas a realidade é diferente: propostas consideradas humilhantes (como ficar com apenas 10% do total) são rejeitadas sistematicamente.

"A rejeição é uma forma de punição altruísta: o indivíduo aceita sair no prejuízo apenas para garantir que o outro não lucre com uma atitude injusta."

Por que agimos de forma irracional?

A neurociência explica que a injustiça ativa a ínsula anterior, uma área do cérebro ligada a emoções negativas como o nojo. Isso significa que uma oferta injusta gera uma reação visceral de repulsa. Em uma comunidade como a do Vale do Itajaí, onde a ética nas relações comerciais e o "fio do bigode" são historicamente valorizados, esse comportamento é ainda mais latente: a quebra de confiança muitas vezes encerra parcerias lucrativas de décadas.

O impacto no mercado e no dia a dia

Entender que o ser humano não é uma calculadora fria é essencial para empresas e gestores. Quando um cliente ou funcionário se sente injustiçado, ele não está mais focado no valor monetário, mas sim na restauração do equilíbrio moral. Isso explica por que brigas judiciais ou reclamações públicas muitas vezes custam mais caro para ambas as partes do que um acordo simples, mas a "vingança" acaba sendo o caminho escolhido.


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Redação

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