Por que a Geração Z evita ligações e o que explica esse comportamento

Por que a Geração Z evita ligações e o que explica esse comportamento
Foto: Ansiedade, busca por controle e preferência por mensagens explicam a rejeição às chamadas de voz ent

Sunday, 15 February 2026

Jovens de Blumenau e região trocam chamadas de voz por mensagens e mudam a dinâmica de comunicação no dia a dia do Vale do Itajaí.

Se você tentar ligar para um jovem de Blumenau hoje, as chances de ele deixar o celular tocar até cair são imensas. O que para as gerações anteriores era o ápice da conectividade, para a Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) tornou-se uma fonte de ansiedade e invasão de privacidade. Esse fenômeno, que ganha força nas universidades e empresas da região, revela uma mudança profunda na forma como a tecnologia molda o comportamento social.

A preferência pelo texto em vez da voz não é apenas "preguiça", mas uma estratégia de controle sobre o tempo e a resposta. Em uma rotina agitada como a de Blumenau, onde o trabalho e o estudo demandam atenção constante, a ligação telefônica é vista como uma interrupção agressiva que exige uma reação imediata, algo que o jovem prefere evitar.

O medo do inesperado e a busca pelo controle

Especialistas apontam que a "fonefobia" — o receio de falar ao telefone — está ligada à falta de previsibilidade. Ao contrário de um áudio ou de uma mensagem no WhatsApp, a chamada em tempo real não permite editar o que será dito ou refletir sobre a melhor resposta. Para a Geração Z, o silêncio do "visto" é mais confortável do que o silêncio constrangedor de uma linha telefônica.

Além disso, a comunicação por texto oferece um registro visual, o que facilita a organização de tarefas e compromissos, algo muito valorizado em ambientes corporativos modernos. Em cidades com forte perfil tecnológico e industrial, como as do Vale do Itajaí, essa transição para o assíncrono é cada vez mais evidente nos processos de recrutamento e nas relações de consumo.

Impactos no mercado de trabalho e social

Empresas blumenauenses já começam a adaptar seus atendimentos. O tradicional SAC por telefone perde espaço para chatbots e atendimentos via redes sociais, justamente para encontrar esse público onde ele se sente mais seguro. No âmbito social, o "ligar sem avisar" passou a ser considerado uma gafe de etiqueta digital por muitos jovens da região.

Embora a voz ainda seja fundamental para resolver problemas complexos ou transmitir emoções urgentes, a tendência é que a ligação telefônica se torne um evento raro e previamente agendado. Entender essa barreira geracional é essencial para manter a harmonia, seja na mesa do almoço em família ou no ambiente de trabalho em Santa Catarina.


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Redação

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