O aeroporto secreto da Itoupava Seca

O aeroporto secreto da Itoupava Seca
Foto: Divulgação

Thursday, 22 January 2026

Rua de luxo em Blumenau esconde passado histórico que poucos moradores conhecem.

Quem caminha pela charmosa Rua Coronel Feddersen, no bairro Itoupava Seca, dificilmente imagina que sob o calçamento de paralelepípedos e as mansões de alto padrão repousa o berço da aviação blumenauense. Muito antes das turbinas ecoarem no Aeroporto Quero-Quero, inaugurado apenas em 1970, o "céu" de Blumenau começava exatamente ali, às margens do Rio Itajaí-Açu.

O dia em que Blumenau parou

A história, resgatada por pesquisadores renomados como Adalberto Day, Edith Kormann e Carlos Braga Mueller, revela que o primeiro pouso oficial na cidade ocorreu em 7 de maio de 1932. Naquela tarde chuvosa, uma multidão se aglomerou na Itoupava Seca para ver o impossível: um avião tocando o solo local.

O piloto, Capitão Holland, trouxe de São Paulo um modelo Moth Apparat (80 cavalos). Após enfrentar tempestades e uma manobra arriscada próxima ao Morro da Boa Vista, ele aterrissou suavemente na pista improvisada onde hoje vivem famílias tradicionais da cidade.

A conexão Victor Konder e a elite aérea

A escolha da Itoupava Seca não foi por acaso. O então prefeito Antônio Cândido de Figueiredo negociou o terreno com a família Boettger para viabilizar a conexão com São Paulo.

O interesse local pela aviação já havia sido despertado anos antes, em 1927, por um personagem ilustre da nossa terra: Victor Konder. Natural de Blumenau e então Ministro da Viação, ele fez questão de sobrevoar o município a bordo do hidroavião "Atlântico", colocando a cidade definitivamente na rota do progresso aéreo brasileiro.

Do improviso à primeira linha comercial

O sucesso da pista na Coronel Feddersen foi tão imediato que, em 1933, Blumenau já contava com uma linha regular para Curitiba pela Aero Loyd Iguassu.

Curiosidades dessa época marcam a memória da região:

  • Velocidade: O primeiro avião voava a apenas 130 km/h (cruzeiro).

  • Glamour: Em 14 de maio de 1933, aeronaves faziam voos rasantes sobre a Sociedade dos Atiradores (atual Tabajara Tênis Clube) exibindo faixas para os sócios.

Hoje, o silêncio da Rua Coronel Feddersen contrasta com o barulho dos motores de outrora. Visitar a via é, antes de tudo, caminhar sobre uma pista de decolagem que lançou Blumenau para a modernidade quase um século atrás.


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Redação

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