Caso Orelha: vídeo sugere reviravolta em investigação de maus-tratos em SC

Caso Orelha: vídeo sugere reviravolta em investigação de maus-tratos em SC
Foto: Imagem sugere que o cão estava bem após o horário da suposta agressão (divulgação)

Thursday, 05 February 2026

Nova gravação mostra animal caminhando após horário de suposta agressão; defesa questiona inquérito policial e pede revisão de provas na Justiça.

O inquérito que apura a morte do cão Orelha, caso que gerou comoção em Santa Catarina, ganhou um elemento que pode alterar os rumos do processo. Imagens de câmeras de segurança, apresentadas pela defesa dos adolescentes envolvidos, mostram o animal circulando pela Praia Brava em um horário posterior ao que a Polícia Civil apontou como o momento das agressões. O vídeo levanta dúvidas sobre a cronologia dos fatos e a causa direta das lesões fatais.

As novas imagens e a tese da defesa

Segundo o registro técnico das câmeras, o cão Orelha foi filmado caminhando pelo bairro após as 7h da manhã do dia 4 de janeiro. O conflito de informações surge porque a investigação oficial situa o espancamento do animal entre 5h25 e 5h58 daquela mesma manhã.

A defesa argumenta que o deslocamento normal do animal horas depois de sofrer suposta tortura brutal enfraquece a tese da polícia. Os advogados sugerem que outros fatores, como um eventual atropelamento ocorrido mais tarde, precisam ser rigorosamente apurados para evitar um julgamento precipitado dos jovens investigados.

A posição da Polícia Civil e o laudo técnico

A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou ter conhecimento das imagens, mas manteve a conclusão do inquérito que indiciou os envolvidos. Para as autoridades, a movimentação do cão após o ocorrido não descarta a agressão anterior; lesões internas e traumas cranianos podem ter uma evolução lenta, permitindo que o animal ainda se locomovesse por algum tempo antes do colapso clínico.

O caso, que se tornou um símbolo da luta contra a violência animal no estado, segue agora para a análise do Ministério Público. A perícia técnica e o cruzamento de dados de GPS e roupas apreendidas serão fundamentais para determinar se a agressão filmada foi, de fato, a causa determinante da morte do cão comunitário.

Mobilização estadual e sigilo de justiça

Desde que as primeiras notícias sobre o caso vieram à tona, diversas cidades catarinenses registraram manifestações pedindo por justiça e maior rigor na aplicação das leis de proteção animal. O desfecho da investigação é aguardado com expectativa por entidades de proteção animal em todo o sul do país.

O processo corre sob sigilo devido ao envolvimento de menores de idade, e o Ministério Público deverá se manifestar nos próximos dias sobre o pedido de internação ou a necessidade de novas diligências baseadas nas provas recentemente apresentadas.


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Redação

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