Via expressa em Blumenau: os bastidores de 12 anos de impasses e abandono

Wednesday, 11 February 2026
Obra que deveria aliviar o trânsito da Itoupava Central virou cenário de descaso e aguarda explicações do governo de SC.
Iniciada com a promessa de transformar a mobilidade na região norte de Blumenau, a obra de prolongamento da via expressa (SC-108) completa 12 anos sem uma solução definitiva. O que deveria ser um corredor de 15 quilômetros ligando a BR-470 à Vila Itoupava é hoje um retrato de canteiros paralisados, acúmulo de lixo e prazos descumpridos que testam a paciência do motorista blumenauense.
Um histórico de promessas e máquinas paradas
O projeto, que começou a sair do papel em 2014, entregou apenas cerca de 20% do cronograma total. Dos 15 quilômetros previstos, somente três foram concluídos em mais de uma década. Desde agosto de 2024, as máquinas silenciaram novamente, deixando o trecho entre a Fortaleza Alta e a Itoupava Central em estado de abandono.
Recentemente, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou uma convocação para que o governo do estado preste esclarecimentos sobre a situação. O local, que deveria receber asfalto e viadutos, acabou se transformando em um "lixão a céu aberto", com descarte irregular de entulhos, gerando revolta em quem vive e trabalha no entorno da rua Pedro Zimmermann.
Por que a obra da via expressa não avança?
De acordo com a Secretaria de Infraestrutura de Santa Catarina, uma "série de problemas" trava a continuidade dos trabalhos. Entre os principais obstáculos citados estão:
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Impasses nas desapropriações: A necessidade de revisar o projeto original para evitar custos elevados com indenizações de terrenos particulares.
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Licenciamento ambiental: Entraves burocráticos que atrasam a liberação de novos trechos.
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Ajustes técnicos: A substituição de viadutos previstos por rotatórias em pontos específicos para reduzir custos e agilizar a execução.
O impacto no trânsito de Blumenau
A conclusão da via expressa é considerada vital para desafogar a SC-108, onde circulam diariamente mais de 12 mil veículos. Para quem enfrenta as filas diárias no acesso ao bairro Itoupava Central, a obra é a única esperança de fluidez. Atualmente, o estado foca esforços para tentar concluir ao menos o primeiro trecho de três quilômetros, que já possui pavimentação, mas ainda carece de alças de acesso e adequações na ligação com a BR-470.
Enquanto novos cronogramas são discutidos em Florianópolis, o blumenauense segue aguardando que a "maior obra inacabada de Santa Catarina" finalmente deixe de ser um problema de infraestrutura para se tornar a solução de mobilidade prometida há 12 anos.