Mistério do voo que saiu de Blumenau e sumiu só termina após 10 anos

Friday, 13 February 2026
Aeronave executiva desapareceu no trajeto para o Rio de Janeiro e mobilizou buscas intensas até ser localizada em floresta de São Sebastião.
O que deveria ser uma viagem de rotina entre o Aeroporto Quero-Quero, em Blumenau, e o Rio de Janeiro, transformou-se em um dos enigmas mais profundos da aviação regional. Um bimotor Piper Seneca, fabricado em 1990 e em plenas condições de voo, decolou de solo blumenauense para nunca chegar ao seu destino. Sem pedidos de socorro ou alertas de emergência, a aeronave simplesmente sumiu dos radares, dando início a uma década de silêncio e buscas frustradas que marcaram a história da nossa região.
O desaparecimento silencioso e a angústia em Blumenau
A decolagem de Blumenau ocorreu sob normalidade, com contatos regulares com o controle de tráfego aéreo. No entanto, de forma súbita, a comunicação foi interrompida. O avião, que transportava cinco pessoas — incluindo o empresário goiano Miguel Gonçalves Marques, dono de uma rede de supermercados —, não deixou pistas imediatas. Para os investigadores, o caso tornou-se um "beco sem saída técnico": não havia sinal de impacto, destroços ou corpos durante as operações de resgate iniciais.
A descoberta fortuita na Serra do Mar
O mistério só começou a ser desvendado dez anos depois, em 2004, quando policiais localizaram fragmentos da aeronave em uma área densa de mata em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Os destroços estavam próximos ao bairro de Toque-Toque Grande, em uma encosta de difícil acesso. No local, além das peças de metal retorcido do bimotor, foram encontradas ossadas e pertences pessoais, como roupas e calçados, que ajudaram as famílias no reconhecimento.
Um relatório cheio de interrogações
Mesmo com o encontro do local do acidente, a Aeronáutica enfrentou dificuldades para determinar a causa exata da queda. O relatório final apontou fatores humanos, materiais e operacionais como "indeterminados". A colisão contra a encosta é a hipótese principal, mas a falta de dados de gravadores de voo e o tempo decorrido mantiveram o caso como uma análise inconclusiva, servindo hoje como um lembrete das lições de segurança operacional que ainda desafiam a aviação executiva.