Novo estudo da UFSC revela: transmissor da malária são cinco espécies

Monday, 23 March 2026
Descoberta sobre o mosquito Anopheles cruzii na Mata Atlântica pode mudar estratégias de saúde pública em Santa Catarina e no Sul do Brasil.
Uma descoberta científica de peso, com participação direta da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), acaba de desvendar um mistério que perdurava desde o início do século XX sobre a malária na nossa região. O mosquito Anopheles cruzii, tradicionalmente apontado como o único grande vilão da transmissão da doença nas áreas de Mata Atlântica, é, na verdade, um complexo formado por cinco espécies geneticamente distintas.
A pesquisa, publicada na prestigiada revista Communications Biology (do grupo Nature), utilizou tecnologia genômica de ponta para analisar o DNA dos insetos. O que os cientistas descobriram é que, embora sejam visualmente idênticos (chamados de espécies crípticas), esses mosquitos não conseguem se reproduzir entre si e possuem comportamentos diferentes.
O impacto da descoberta para o Vale e região
Para quem vive em cidades cercadas pelo verde, como Blumenau e os municípios do Vale do Itajaí, a notícia é estratégica. O estudo mapeou cinco linhagens (batizadas de A, B, C, D e E) em coletas feitas em dez cidades brasileiras, incluindo Santa Catarina.
A chamada "Linhagem A" foi identificada como a mais distribuída na costa catarinense e em Florianópolis, enquanto outras linhagens apresentam características mais localizadas. Essa distinção é fundamental para a saúde pública: se os mosquitos são espécies diferentes, eles podem ter hábitos de picada, horários de atividade e resistências a inseticidas totalmente distintos.
Ciência catarinense ganha destaque internacional
O trabalho foi liderado por pesquisadoras da UFSC, como Kamila Voges e Luísa Rona Pitaluga, em parceria com a Fiocruz e a UFRJ. Segundo os especialistas, tratar cinco espécies diferentes como se fossem uma só dificultava a eficiência das estratégias de controle da malária no Sul e Sudeste do país.
Desde a construção da ferrovia São Paulo-Santos, há mais de cem anos, o Anopheles cruzii é monitorado. Agora, com o mapeamento genético detalhado, a ciência brasileira dá um passo decisivo para entender como a doença circula em nossos remanescentes de floresta, garantindo mais segurança e precisão para as futuras ações de vigilância epidemiológica em solo catarinense.