Blumob ignorou plano B da prefeitura antes de ordem para sair de terreno

Tuesday, 24 March 2026
Concessionária não aceitou alternativas propostas pelo município meses antes da decisão judicial que determinou a desocupação da área do Samae em Blumenau.
O impasse que trava o avanço da ETA 5, no bairro Salto do Norte, ganhou um capítulo revelador. Documentos mostram que a Blumob ignorou as alternativas apresentadas pela prefeitura de Blumenau para desocupar o terreno do Samae muito antes de o caso parar na Justiça. A resistência da empresa em deixar o local, usado como garagem e oficina, agora coloca em xeque o cronograma de uma obra vital para o abastecimento de 150 mil moradores da região Norte.
O terreno na Rua Ari Santerri, que deveria estar liberado para a construção da estação de tratamento de lodo, continua ocupado pela concessionária. A prefeitura chegou a oferecer um "plano B" com terrenos próprios para a mudança, mas a Blumob não deu sinais de movimentação, o que forçou o Samae a buscar uma ordem de despejo em fevereiro. Mesmo com o prazo judicial de 30 dias esgotado, a estrutura de ônibus permanece no local.
O impacto no abastecimento de Blumenau
A conclusão da ETA 5 é a principal aposta para resolver a falta de água histórica em bairros como Itoupava Central, Badenfurt, Itoupavazinha, Testo Salto, Fortaleza Alta e Fidélis. Com investimento de R$ 56 milhões, a nova unidade deve desafogar a ETA 2, que hoje opera no limite.
O que dizem as partes:
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Samae: Afirma que a ocupação impede frentes de trabalho essenciais e que a empresa sabia da necessidade de saída há meses.
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Blumob: A concessionária preferiu não se manifestar sobre o descumprimento do prazo e a recusa das áreas alternativas.
A prefeitura de Blumenau também foi questionada sobre o motivo de insistir na oferta de terrenos públicos para uma empresa privada que, por contrato, deveria ter sede própria, mas não enviou resposta até o fechamento desta edição.