Além do chocolate: entenda as diferenças entre a Páscoa cristã e a judaica

Além do chocolate: entenda as diferenças entre a Páscoa cristã e a judaica
Foto: Arte ilustrativa de Páscoa (divulgação)

Sunday, 05 April 2026

Apesar de compartilharem nomes e raízes históricas, as celebrações possuem significados e rituais distintos para fiéis em Blumenau e no mundo..

Nesta época do ano, enquanto as ruas de Blumenau se preparam para as celebrações tradicionais, surge uma dúvida comum entre as famílias: afinal, o que diferencia a Páscoa cristã da judaica? Embora ambas as datas celebrem a "passagem" e a renovação, os fundamentos teológicos e os ritos de cada uma seguem caminhos particulares. Enquanto para os cristãos o foco é a ressurreição de Jesus Cristo, para os judeus a festa, chamada de Pessach, marca a libertação da escravidão no Egito.

As raízes históricas e o significado da libertação

A Páscoa judaica, ou Pessach, é uma das festas mais antigas e centrais do judaísmo. Ela celebra o êxodo dos hebreus do Egito, após séculos de escravidão. O termo "Pessach" significa literalmente "passar por cima", uma referência direta ao relato bíblico da décima praga, quando o anjo da morte teria poupado as casas das famílias hebreias.

Já a Páscoa cristã está intrinsecamente ligada ao Pessach em sua origem cronológica — a Última Ceia de Jesus teria sido um jantar de Páscoa judaica —, mas seu significado foi ressignificado. Para o cristianismo, a data celebra o sacrifício e a vitória de Jesus sobre a morte, representando a promessa de vida eterna e a salvação da humanidade.

Tradições e o que vai à mesa

As diferenças também são notáveis na forma como cada comunidade celebra a data:

  • Pessach (Judaísmo): A celebração dura entre sete e oito dias. O ponto alto é o Sêder, um jantar ritualístico onde se lê a Agadá (a história da libertação). Um dos elementos mais simbólicos é o consumo do matzá (pão sem fermento), que recorda a pressa na saída do Egito, quando não houve tempo para o pão crescer.

  • Páscoa Cristã: É precedida pela Quaresma e pela Semana Santa. As tradições variam entre católicos e protestantes, mas incluem missas solenes, cultos de ressurreição e a troca de ovos de chocolate — um símbolo moderno de vida nova e fertilidade que se tornou febre comercial em cidades como Blumenau.

Por que as datas nunca coincidem exatamente?

Muitos leitores do Vale do Itajaí notam que a Páscoa nem sempre cai no mesmo dia. Isso ocorre porque o judaísmo utiliza o calendário lunar, enquanto a Igreja Católica definiu, no Concílio de Niceia (ano 325), que a Páscoa cristã seria celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera (no hemisfério norte).

Entender essas nuances é fundamental para respeitar a diversidade cultural e religiosa que compõe a nossa região, valorizando o que cada tradição traz de ensinamento sobre liberdade e esperança.


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Redação

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