Investigação sobre morte de mãe e bebê chega a médicos de hospital

Investigação sobre morte de mãe e bebê chega a médicos de hospital
Foto: Fachada do Hospital Beatriz Ramos (divulgação)

Tuesday, 14 April 2026

Análise de prontuários aponta negligência em atendimentos a gestante de Indaial que faleceu em Blumenau.

A Polícia Civil avançou na investigação sobre a trágica morte de Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, e de sua filha Jhenifer, ocorrida no início de abril. O foco do inquérito agora recai sobre os médicos responsáveis pelos atendimentos no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial. Após a análise técnica dos prontuários, a perícia apontou "várias falhas" e indícios de negligência em ao menos dois dos quatro atendimentos realizados antes da transferência da jovem para Blumenau.

Maria Luiza, que estava no sétimo mês de gestação e tinha diagnóstico de diabetes gestacional, procurou a unidade hospitalar por quatro dias consecutivos com sintomas de febre e dores intensas. Segundo os registros, ela foi medicada e liberada em todas as ocasiões. Em uma das passagens, houve suspeita de dengue devido à baixa de plaquetas, mas a internação não foi realizada. A situação se agravou até que a jovem precisou ser entubada e levada às pressas para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau, onde mãe e filha não resistiram.

O laudo pericial foi determinante para identificar as inconsistências nos protocolos aplicados. O documento revela que a causa provável da morte estaria ligada a um quadro de dengue hemorrágica e infecção generalizada, condições que não teriam sido tratadas a tempo. O delegado responsável pelo caso confirmou que os profissionais envolvidos começaram a ser interrogados para esclarecer por que a gravidade do quadro não foi detectada precocemente.

Em nota, o Hospital Beatriz Ramos afirmou que o caso passa por uma investigação técnica rigorosa, seguindo os protocolos do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde, e manifestou solidariedade à família. A prefeitura de Indaial também acompanha o desdobramento, reforçando a necessidade de transparência. O caso gerou grande comoção no Vale do Itajaí e reacendeu o debate sobre a eficiência dos atendimentos de emergência obstétrica na região.


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Redação

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