Defesa Civil propõe criar parque esponja e mudar cota de enchente

Monday, 18 May 2026
Projeto no bairro Itoupava Norte foca em desapropriações na rua 1º de Janeiro para evitar ativação precoce de abrigos e reduzir custos com cheias.
Uma proposta apresentada pela Secretaria da Defesa Civil pode alterar historicamente a forma como o município de Blumenau contabiliza as enchentes que atingem a região. Durante passagem pela Câmara de Vereadores, o secretário Carlos Menestrina revelou o plano de implantar um grande parque alagável no entorno da rua 1º de Janeiro, localizada no bairro Itoupava Norte. A localidade é conhecida na cidade por ser a primeira a registrar inundações em cenários de fortes chuvas.
A iniciativa visa criar uma ampla área verde que atuará como uma "esponja", absorvendo o volume de água e minimizando o impacto dos alagamentos. De acordo com Menestrina, a ideia é inspirada em um projeto semelhante que está sendo desenvolvido em Curitiba (PR). Nos períodos de clima bom, a estrutura passaria a funcionar como uma nova opção de lazer para os moradores da região de Blumenau.
Mudança no mapa de inundações e fim da vulnerabilidade
Caso seja implantado, o parque alterará diretamente a dinâmica de registros de alagamentos no município. Conforme o atual mapa de inundações de Blumenau, basta o nível do rio Itajaí-Açu atingir 7,40 metros para que a primeira residência na rua São Rafael, também na Itoupava Norte, seja afetada. Embora a cidade entre em cenário de alerta com essa marca, o município considera formalmente uma enchente oficial apenas quando o rio alcança os 8 metros.
A estratégia da Defesa Civil baseia-se no despovoamento completo dessa área sensível. Com a desapropriação de todo o entorno, deixará de haver imóveis ocupados sofrendo danos com as primeiras subidas do nível do rio. Sob a ótica de Menestrina, a ausência de residências afetadas nesse primeiro estágio permitiria elevar em até um metro a cota mínima utilizada para atestar oficialmente o fenômeno na cidade, passando o limite de 8 para 9 metros.
O secretário destaca que a medida atende a dois objetivos centrais: a criação de uma área alagável capaz de reter a água e a retirada definitiva das famílias que vivem em situação de vulnerabilidade frente às cheias.
Impacto financeiro e plano de desapropriações
Além do forte apelo socioambiental e de segurança pública, a proposta é sustentada por uma lógica financeira de economia a longo prazo. Toda vez que o nível da água sobe e ameaça as cotas mais baixas, o protocolo de proteção do município exige a mobilização de estruturas públicas, o que inclui a ativação e a manutenção de abrigos. Posteriormente, com a vazante dos rios, a prefeitura arca com novos custos voltados à recuperação e à manutenção das vias públicas atingidas.
"Não é só o que vai se gastar agora, mas o que vai se economizar lá na frente", projeta o secretário da Defesa Civil.
Um levantamento preliminar da área já foi realizado pelo órgão local. As estimativas iniciais de Menestrina apontam para a necessidade de realizar cerca de 90 desapropriações no entorno da rua 1º de Janeiro. O valor total das indenizações ainda não foi calculado pelo município. Contudo, o secretário avalia que a intervenção será mais barata do que a construção de um dique na região, visto que, por estarem muito suscetíveis a alagamentos frequentes, os imóveis do local possuem menor valor de mercado.
O plano já foi apresentado e discutido preliminarmente com o gabinete do prefeito de Blumenau. O próximo passo da Defesa Civil envolve a intensificação das discussões junto à Secretaria de Planejamento Urbano para analisar os critérios técnicos e avançar sobre a viabilidade de execução do projeto. Ao longo de seus 175 anos de história, Blumenau já contabilizou oficialmente o registro de 102 enchentes.