Barragem de José Boiteux será útil contra o El Niño?

Tuesday, 19 May 2026
Com obras de R$ 9,9 milhões recém-autorizadas, principal estrutura de contenção do Vale do Itajaí corre contra o tempo diante de previsões climáticas severas.
A iminente chegada do fenômeno El Niño a Santa Catarina, com previsões de atingir uma intensidade muito forte, reacendeu uma série de questionamentos cruciais para a segurança do Vale do Itajaí: a barragem de José Boiteux, principal estrutura de contenção de cheias da região, estará totalmente operacional quando o período de chuvas frequentes começar?
A resposta envolve um cenário complexo de infraestrutura comprometida e uma corrida contra o tempo. Atualmente, a maior barreira de contenção contra enchentes do Vale do Itajaí opera de forma parcial. Uma das comportas permanece emperrada desde as cheias de 2023, e a casa de máquinas foi completamente destruída e depredada, tendo seus equipamentos furtados ao longo do tempo.
Diante desse quadro crítico, a ordem de serviço para a reforma e modernização da estrutura foi assinada nesta segunda-feira (18). Contudo, o prazo contratual estipulado para a execução completa dos trabalhos é de 12 meses a partir do ato, o que gera um descompasso com o calendário climático previsto pelos meteorologistas.
O calendário do El Niño e o pico das chuvas no Vale do Itajaí
De acordo com as projeções divulgadas pela Defesa Civil do Estado, o aumento dos índices pluviométricos deve iniciar de maneira progressiva já a partir do próximo mês. O avanço do El Niño tende a ganhar maior intensidade em setembro, mas o teto da preocupação dos órgãos de monitoramento está fixado na primavera. O pico absoluto do fenômeno e o consequente risco meteorológico são aguardados entre os meses de novembro e janeiro.
O histórico recente da estrutura exige atenção redobrada. Há três anos, durante a última manifestação do fenômeno, a barragem de José Boiteux atingiu o limite máximo de sua capacidade e verteu pela primeira vez desde que foi construída.
Como será a operação emergencial e os detalhes da reforma de R$ 9,9 milhões
Para mitigar os riscos imediatos na região de Blumenau — área diretamente impactada pela contenção e que concentra cerca de 1,5 milhão de habitantes —, a Defesa Civil estabeleceu metas prioritárias para a empreiteira contratada, a Construtora e Incorporadora Saks LTDA, sediada em Videira.
A primeira missão emergencial da empresa será o desempeno da comporta que está emperrada fechada. O pleno funcionamento desse sistema é vital: quando abertas, as comportas permitem o fluxo da água represada pelo Rio Itajaí do Norte em direção ao oceano; quando fechadas, retêm o volume no reservatório para evitar inundações nas cidades situadas abaixo do eixo do rio.
Enquanto a restauração civil não avança, as manobras continuam dependendo de ações paliativas. Na ausência da casa de máquinas original, qualquer processo de abertura ou fechamento das comportas exige o deslocamento técnico de um caminhão hidráulico até o local para realizar a ativação manual das estruturas.
O projeto definitivo prevê a total recomposição da infraestrutura interna e a substituição do maquinário antigo por um modelo moderno de automação. Após a conclusão dos trabalhos, a barragem passará a contar com um sistema de ativação remoto. Isso possibilitará que os comandos de controle de fluxo sejam executados diretamente da sede da Defesa Civil do Estado, localizada em Florianópolis, com poucos comandos eletrônicos.
O investimento total para a recuperação da estrutura foi licitado no valor de R$ 9,9 milhões. O modelo de financiamento conta com o aporte de R$ 4,6 milhões provenientes do governo do Estado de Santa Catarina, sob a gestão de Jorginho Mello, enquanto os R$ 5,3 milhões restantes serão custeados pela União, por meio do governo federal.