Máscaras de personagens humanizam tratamento infantil

Tuesday, 26 May 2026
Iniciativa no Hospital Santo Antônio personaliza acessórios térmicos obrigatórios para trazer leveza e segurança às sessões de radioterapia de crianças.
O momento de enfrentar um tratamento contra o câncer ganha contornos de acolhimento e criatividade nos corredores do Hospital Santo Antônio, em Blumenau. Para tornar as sessões de radioterapia menos intimidadoras para os pacientes oncológicos infantis, a equipe de saúde da instituição adotou uma estratégia sensível: transformar as máscaras termoplásticas obrigatórias do procedimento em rostos de super-heróis e personagens de desenhos animados bem conhecidos do público infantil.
A ação humanizada foca em crianças que lutam contra tumores localizados na cabeça, na face e no sistema nervoso central. Na prática médica, esse tipo de acessório é indispensável para garantir o sucesso do protocolo de radioterapia, uma vez que a sua função principal é manter o paciente completamente imóvel. Essa imobilidade assegura a precisão milimétrica na aplicação da radiação sobre o tumor, blindando os tecidos saudáveis ao redor. O material rígido, que é aquecido até se tornar maleável e depois moldado de forma direta na face da criança, costuma causar estranhamento ou desconforto — barreiras que a equipe do hospital consegue quebrar com cores e criatividade.
No rol de transformações que circulam pelas salas de terapia do hospital de Blumenau estão figuras icônicas como o Homem-Aranha e o Lanterna Verde. Recentemente, a Galinha Pintadinha também entrou para o "time" de aliados do setor de oncologia para ajudar o pequeno Apollo Cachoeira dos Santos Silva, de apenas 2 anos.
Natural da cidade vizinha de Itajaí, o menino foi diagnosticado com um ependimoma no quarto ventrículo, que consiste em um tumor no sistema nervoso central. A rotina da família envolve viagens diárias até o Hospital Santo Antônio, em Blumenau, acompanhado de seus pais, para cumprir um ciclo de 33 sessões de radioterapia. Atualmente, o menino já alcançou a metade do tratamento programado.
A personalização do acessório de Apollo começou com um diálogo simples: a equipe médica e de enfermagem perguntou aos pais qual era o desenho favorito do garoto. Ao descobrirem a paixão pela Galinha Pintadinha, os profissionais não apenas customizaram a máscara termoplástica com o padrão da personagem, como também decoraram as paredes da própria sala de radioterapia com imagens da animação.
O impacto no comportamento do paciente foi imediato e positivo. O pai de Apollo relata que, logo no dia seguinte às adaptações visuais, o menino se encheu de alegria ao notar a personagem na parede e passou a interagir de forma lúdica, procurando pela "Cocó" assim que entrava no ambiente de exames. A mudança reduziu drasticamente a tensão do procedimento diário, permitindo que a criança realize a radioterapia de forma muito mais tranquila por reconhecer elementos familiares e acolhedores no espaço hospitalar.
De acordo com Kéren Augusto Sampaio, enfermeira supervisora do setor de Oncologia do Hospital Santo Antônio, a condução da radioterapia infantil compartilha dos mesmos princípios e rigor técnico aplicados aos pacientes adultos. Contudo, o manejo com os pequenos exige abordagens e cuidados altamente específicos devido ao estágio de desenvolvimento físico e psicológico de cada criança.
A enfermeira explica que o comportamento infantil impõe desafios para a manutenção da imobilidade necessária. Por essa razão, em alguns cenários tradicionais, os médicos precisam recorrer ao uso de sedação para assegurar que a criança não se movimente durante a emissão dos feixes de radiação. Técnicas de humanização, como a pintura das máscaras e a ambientação da sala, funcionam como ferramentas terapêuticas para diminuir o estresse e evitar a necessidade dessas intervenções sedativas. Todo o planejamento clínico é desenhado de maneira totalmente individualizada pelas equipes especializadas da região, visando atenuar potenciais efeitos colaterais da radiação e assegurar a máxima segurança e bem-estar às crianças ao longo da jornada de recuperação.