Mãe de vítima de terrorista convoca protesto em Blumenau

Mãe de vítima de terrorista convoca protesto em Blumenau
Foto: Divulgação

Wednesday, 10 June 2026

Jennifer Pabst, que perdeu o filho Bernardo no atentado à creche Cantinho Bom Pastor, cobra soluções efetivas diante do cancelamento de contratos de R$ 68 milhões em segurança escolar.

A indignação tomou conta das redes sociais em Blumenau após a revelação de um suposto esquema de corrupção na área de segurança escolar. Jennifer Pabst, mãe do pequeno Bernardo, de 4 anos — uma das quatro vítimas fatais do trágico ataque à creche Cantinho Bom Pastor em abril de 2023 —, manifestou revolta pública e convocou a população para uma manifestação pacífica. O protesto está agendado para a manhã de sábado (13), em frente à Prefeitura de Blumenau, com o objetivo de cobrar medidas concretas e transparentes para a proteção dos estudantes da rede municipal.

A reação da comunidade ocorre logo após o anúncio oficial da prefeitura sobre a rescisão de três contratos que somavam R$ 68 milhões, destinados às empresas responsáveis pela segurança nas instituições de ensino locais. O rompimento contratual foi motivado por suspeitas de corrupção investigadas na chamada operação Sentinela, deflagrada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) através do Gaeco.

"Nossas crianças merecem entrar na escola apenas com uma preocupação: aprender, sonhar e viver a infância em segurança", desabafou Jennifer em suas plataformas digitais. Ela enfatizou a urgência de respostas governamentais contundentes: "Não queremos esperar que novas tragédias aconteçam para agir. Queremos medidas efetivas de prevenção e segurança".

Rompimento de contratos e nova licitação emergencial

O anúncio do encerramento das parcerias foi detalhado pelo prefeito de Blumenau, Egidio Ferrari, em entrevista coletiva. Ao todo, a administração municipal rescindiu três contratos distintos: um de R$ 14 milhões, outro de R$ 32 milhões e um terceiro de R$ 22 milhões. "Se alguém se aproveitou de um momento tão sensível que a cidade vivia, se alguém usou em benefício próprio, tem que pagar", asseverou o prefeito. As empresas envolvidas serão notificadas e devem cessar as atividades de prestação de serviços até o dia 26 de junho.

Diante da iminência da descontinuidade dos serviços vigentes, o governo municipal publicou, em caráter de urgência, uma nova abertura de licitação. O processo emergencial visa preencher dois lotes de atendimento imediato: um focado nos serviços de limpeza e manutenção e outro dedicado à contratação de porteiros para as unidades escolares. De acordo com o planejamento inicial divulgado, esses novos contratos terão vigência estipulada de seis meses, período após o qual o modelo passará por reavaliação técnica.

O que as famílias de Blumenau exigem das autoridades

Para os pais e familiares das vítimas do atentado de 2023, o momento exige soluções estruturais robustas e definitivas, que vão além de medidas provisórias de portaria. A pauta de reivindicações do movimento liderado por Jennifer Pabst inclui itens voltados ao monitoramento e à pronta resposta contra ameaças externas. Os pedidos centrais do grupo envolvem:

  • Implementação de câmeras de monitoramento equipadas com tecnologia de reconhecimento facial;

  • Instalação de botões de pânico conectados diretamente às forças policiais;

  • Fixação de detectores de metais nos acessos das instituições de ensino;

  • Presença fixa de vigilantes armados e devidamente capacitados para atuar no ambiente escolar.

"Para proteger aquilo que temos de mais precioso: nossas crianças. A segurança não é um privilégio. É um direito. Quando nos unimos pela proteção dos nossos filhos, não defendemos apenas o presente, mas também o futuro de toda uma geração", argumentou Jennifer, justificando a mobilização popular agendada para sábado.

Relembre o caso do Cantinho Bom Pastor

A cobrança rigorosa por segurança em Blumenau remete ao trauma coletivo sofrido pela cidade no dia 5 de abril de 2023. Naquela data, um homem invadiu a creche Cantinho Bom Pastor, localizada no bairro Velha, portando uma machadinha. O agressor pulou o muro da instituição e atacou um grupo de alunos que realizava uma atividade recreativa e uma roda de conversa no pátio.

Quatro crianças com idades entre 4 e 7 anos morreram em decorrência do atentado. O autor do crime entregou-se voluntariamente à polícia logo após a ação violenta e foi julgado e condenado a uma pena de 220 anos de reclusão em regime fechado, sem a possibilidade de recorrer da sentença em liberdade.


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Redação

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