Agência confirma El Niño e chance de superfenômeno em 2026

Thursday, 11 June 2026
Atualização de instituição internacional eleva para 63% a probabilidade de um super El Niño no fim do ano; SC monitora impactos para o segundo semestre.
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa), dos Estados Unidos, confirmou nesta quinta-feira (11) que as condições do El Niño já estão oficialmente estabelecidas no Oceano Pacífico Equatorial. Para Blumenau e região, que historicamente acompanham com atenção as mudanças climáticas, o novo boletim acende um sinal de alerta: as chances de o fenômeno atingir a categoria "super" no final de 2026 saltaram de 37% para 63%. A medição mais recente aponta que as águas na região monitorada estão 0,7°C acima da média, o que já configura o início do processo. Segundo os pesquisadores norte-americanos, o pico deve ocorrer entre a primavera e o verão (novembro a janeiro), estendendo-se ao menos até o início de 2027.
O avanço gradual do fenômeno mexe diretamente com o planejamento de Santa Catarina. Cidades do Estado e o governo já divulgaram estar adotando ações preventivas para mitigar os efeitos das chuvas projetadas para o segundo semestre. Em Blumenau, o monitoramento preventivo ganha importância porque o El Niño forte tende a tornar os episódios de precipitação mais frequentes e intensos no Sul do país, embora os cientistas ponderem que grandes desastres dependem de uma combinação de múltiplos fatores meteorológicos operando em conjunto.
O que esperar para o inverno em Santa Catarina
De acordo com a última reunião do Fórum Climático Catarinense, os impactos nas temperaturas e chuvas devem ocorrer de forma progressiva:
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Junho: Mantém o padrão típico da estação, com a atuação frequente de massas de ar frio e episódios de queda acentuada de temperatura.
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Julho e agosto: A previsão indica termômetros acima da média climatológica, tornando os episódios de frio intenso e duradouro mais escassos se comparados ao inverno do ano passado.
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Fenômenos esperados: Há chances de veranicos (com dias consecutivos acima de 30°C) e formação de nevoeiros. Massas de ar frio pontuais ainda podem provocar geada e eventual neve na Serra se houver umidade.
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Riscos no fim do inverno: Em julho e agosto, a expectativa é de chuva próxima a acima da média. Volumes elevados em curtos intervalos aumentam o risco de temporais com raios, granizo, ventania, alagamentos e deslizamentos, conforme os alertas emitidos pela Defesa Civil.
O peso da categoria muito forte
Cientificamente, o termo "super El Niño" é uma designação popular para quando o aquecimento das águas do oceano ultrapassa a marca de 2,0°C acima da média climatológica — patamar que a Nooa classifica tecnicamente como "muito forte". Desde 1950, o mundo registrou apenas cinco episódios com essa magnitude entre as 25 ocorrências documentadas.
O meteorologista da Defesa Civil, Caio Guerra, ressalta que o intervalo entre esses eventos de forte intensidade está encurtando. Antigamente, a pausa entre um super El Niño e outro superava dez anos. Na história recente, esse tempo caiu para oito e, caso a projeção atual se confirme acima dos 2,0°C, o intervalo do último evento para este será de menos de cinco anos.
Como funciona o fenômeno: O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) explica que o aquecimento do Pacífico faz a água evaporar mais rápido, gerando nuvens carregadas. A circulação de ventos gerada cria uma barreira atmosférica que retém as frentes frias vindas do Hemisfério Sul por mais tempo concentradas na região Sul do Brasil. No primeiro ano do El Niño, a primavera e o verão costumam ser as estações mais chuvosas, enquanto o inverno sente o maior impacto no segundo ano.
Especialistas de renome internacional, como a cientista Alice Grimm, reforçam que, embora o El Niño aumente expressivamente a vulnerabilidade do Sul para chuvas extremas, eventos catastróficos necessitam de um "combo" onde oscilações atmosféricas e oceânicas semanais ou anuais coincidam perfeitamente com os efeitos das mudanças climáticas, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024. A recomendação dos órgãos de monitoramento para a região do Vale do Itajaí permanece sendo a prevenção ativa.