Brasil acelera transição e dobra emplacamentos de ônibus elétricos

Wednesday, 15 July 2026
Enquanto São Paulo lidera corrida sustentável com 1.759 coletivos, municípios do Sul e de Santa Catarina acompanham passos para modernizar o transporte de passageiros.
O mercado brasileiro de ônibus elétricos encerrou o primeiro semestre de 2026 com uma alta histórica de 92,5% nos emplacamentos em comparação ao mesmo período de 2025. Ao todo, foram 589 unidades licenciadas nos primeiros seis meses deste ano, contra 306 registradas na primeira metade do ano passado. No momento em que cidades de Santa Catarina debatem o futuro da mobilidade urbana e a redução de poluentes, o avanço nacional consolida a transição energética do transporte público, que deixa de ser apenas um projeto experimental para integrar planos estruturados de renovação de frotas.
Salto expressivo e consolidação industrial
A aceleração do mercado fica ainda mais evidente na comparação com o primeiro semestre de 2024, registrando um crescimento expressivo de 363,8%. O volume acumulado até junho de 2026 já corresponde a 70% de todos os ônibus elétricos emplacados ao longo do ano de 2025.
Esse avanço foi fortemente impulsionado pela entrega de um lote de 500 novos ônibus elétricos ao sistema municipal de transporte coletivo de São Paulo, realizada em 21 de junho. Com a incorporação dos novos veículos, a capital paulista expandiu sua frota eletrificada (composta por modelos a bateria e trólebus) para 1.759 unidades, consolidando-se como o polo principal da tecnologia no país.
Desempenho do mês de junho
Considerando isoladamente o mês de junho de 2026, o país registrou o emplacamento de 278 ônibus elétricos — um salto de 717,6% frente a junho de 2025. Em relação ao mesmo mês de 2024, a alta técnica aproxima-se de 3.000%.
Diferente do mercado de veículos de passeio, o setor de ônibus apresenta oscilações mensais acentuadas. Isso ocorre porque as entregas dependem diretamente de:
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Cronogramas de produção das montadoras;
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Processos de licitações públicas;
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Prazos e contratos de renovação firmados pelas prefeituras.
Dessa forma, a análise semestral acumulada oferece uma perspectiva mais equilibrada e realista sobre a real evolução da infraestrutura de transporte nacional.
Produção nacional abastece 80% do mercado
O fortalecimento da indústria brasileira é um dos destaques do primeiro semestre de 2026. Das unidades emplacadas no período, 80% foram fabricadas em território nacional (476 veículos), enquanto as importações responderam pelos 20% restantes (113 unidades).
No total, 9 fabricantes disponibilizaram 19 modelos diferentes de ônibus elétricos no mercado brasileiro. A divisão produtiva se dá entre:
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Fabricação nacional: 5 montadoras (com destaque para a capacidade produtiva de marcas instaladas no país, como Eletra, BYD, Mercedes-Benz e Marcopolo);
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Modelos importados: 4 empresas.
No ranking de participação de mercado das fabricantes durante o semestre, a liderança ficou com a Eletra, que registrou 38% dos emplacamentos. A segunda posição foi ocupada pela Mercedes-Benz, com 19,2%, seguida de perto pela BYD, com 18,5%.
Distribuição geográfica desigual e o desafio para o interior
Apesar do expressivo crescimento geral, a distribuição da nova tecnologia ainda se mostra altamente concentrada. A região Sudeste liderou o mercado no primeiro semestre de 2026 com 79,5% de participação total nos emplacamentos. Esse índice é puxado quase na totalidade pelo estado de São Paulo, responsável por 99% dos licenciamentos da região.
Abaixo, confira a distribuição dos 589 ônibus elétricos emplacados por município no primeiro semestre de 2026:
| Posição | Município | Unidades Emplacadas | Participação (%) |
| 1º | São Paulo (SP) | 429 | 72,8% |
| 2º | Brasília (DF) | 90 | 15,3% |
| 3º | São Bernardo do Campo (SP) | 19 | 3,2% |
| 4º | Aracaju (SE) | 15 | 2,6% |
| Goiânia (GO) | 15 | 2,6% | |
| 5º | Osasco (SP) | 12 | 2,0% |
| 6º | Confins (MG) | 2 | 0,3% |
| Itapevi (SP) | 2 | 0,3% | |
| Rio de Janeiro (RJ) | 2 | 0,3% | |
| 7º | Curitiba (PR) | 1 | 0,2% |
| Nova Europa (SP) | 1 | 0,2% | |
| Santos (SP) | 1 | 0,2% | |
| - | TOTAL | 589 | 100% |
O cenário demonstra que a eletrificação do transporte público no Brasil ainda ocorre de forma desigual. O grande desafio para o setor nos próximos anos é descentralizar essa tecnologia, estendendo os benefícios operacionais e ambientais para municípios de médio porte e regiões do interior, como o Vale do Itajaí. Para que essa expansão ocorra, o segmento aponta para a necessidade de dar continuidade a programas de financiamento, ampliar a previsibilidade de compras públicas e formatar condições técnicas e econômicas viáveis para as administrações locais.