Tabagismo cresce em Santa Catarina e alerta autoridades

Tuesday, 08 September 2026
Dados da Assembleia Legislativa mostram que o estado ultrapassa a média nacional de fumantes, impulsionado pela expansão dos cigarros eletrônicos entre jovens.
O avanço do tabagismo em Santa Catarina acendeu um alerta vermelho para autoridades de saúde em Blumenau e em toda a região do Vale do Itajaí. Levantamentos divulgados pela Assembleia Legislativa do Estado (Alesc) apontam que a prevalência de fumantes no território catarinense está acima da média nacional, um cenário que surpreende especialistas após décadas de queda contínua nos índices de consumo.
Enquanto a média brasileira de adultos que consomem cigarros convencionais gira em torno de 9% a 10%, em Santa Catarina o índice atinge aproximadamente 13%. O crescimento recente é atribuído, em grande parte, à popularização dos dispositivos eletrônicos para fumar (os chamados vapes ou pods), que vêm conquistando adolescentes e jovens da região.
O papel dos cigarros eletrônicos como porta de entrada
De acordo com especialistas ouvidos pela Alesc, como a pneumologista e coordenadora do Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo, Dra. Leila John Marques Steidle, a experimentação dos cigarros eletrônicos nos últimos anos funciona como uma porta de entrada para a dependência da nicotina entre as novas gerações.
O perigo é potencializado por novas formulações químicas presentes nesses produtos, que reduzem a irritação imediata das vias respiratórias — como a tosse e o pigarro típicos do início do cigarro convencional. Com isso, os usuários conseguem inalar doses elevadas de nicotina sem perceber o dano instantâneo, ampliando o risco de migração para o fumo tradicional ou o uso combinado de ambos os dispositivos.
Riscos que vão além do sistema respiratório
Os profissionais de saúde reforçam que a dependência química da nicotina não deve ser tratada como um mero hábito ou falta de força de vontade, mas sim como uma doença crônica que exige diagnóstico e tratamento especializado.
Os impactos negativos no organismo atingem múltiplos sistemas:
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Sistema respiratório: Queda nas defesas naturais das vias aéreas, agravamento de quadros de asma, infecções recorrentes e risco elevado para o desenvolvimento de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), como o enfisema.
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Sistema cardiovascular: Aumento da pressão arterial, comprometimento da circulação sanguínea e elevação expressiva nos riscos de infarto e de acidente vascular cerebral (AVC).
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Diagnóstico tardio: Meses como o Agosto Branco reforçam a necessidade de atenção aos sintomas do câncer de pulmão, muitas vezes diagnosticado em estágios avançados, embora exames preventivos de imagem possam auxiliar na detecção precoce para grupos de risco.
Buscando ajuda e tratamento na região
Apesar da forte dependência gerada pela nicotina, a procura por auxílio médico e psicológico sigue alta na rede pública e em projetos de extensão universitária no estado. A recomendação médica para quem nunca fumou — especialmente crianças e jovens — é evitar qualquer contato com produtos que contenham nicotina. Já para aqueles que desenvolveram a dependência, o caminho indicado envolve suporte profissional multidisciplinar, combinando acompanhamento comportamental e estratégias terapêuticas para assegurar a abstinência e proteger a saúde da população catarinense.