Cidades médias de SC aceleram e crescem até três vezes mais que capitais

Wednesday, 28 October 2026
Levantamento do IBGE aponta avanço populacional em Santa Catarina e no Sul; Joinville e Florianópolis se destacam no ganho de moradores.
A expansão demográfica no Sul e no Centro-Oeste brasileiro vive uma clara mudança de ritmo, com os municípios de médio porte assumindo o protagonismo e crescendo quase três vezes mais rápido do que as grandes metrópoles. De acordo com as Estimativas da População 2026 divulgadas pelo IBGE em 28 de agosto, as cidades entre 200 mil e 500 mil habitantes no Paraná, em Santa Catarina e no Centro-Oeste registraram uma mediana de crescimento populacional de 1,29% entre 2025 e 2026. No mesmo período, a taxa nacional ficou em 0,37%, enquanto os municípios com mais de 1 milhão de moradores avançaram em ritmo bem mais modesto, marcando mediana de 0,44%.
O fenômeno reforça a atratividade do interior e de polos regionais catarinenses no radar de novos moradores e investidores. No recorte de 31 municípios com mais de 200 mil habitantes analisados nessas regiões, o ganho absoluto de população destaca cidades catarinenses entre os maiores fluxos de atração. Joinville somou 9.439 habitantes em um ano (alta de 1,42%), atingindo 673.980 moradores e conquistando o terceiro maior ganho absoluto do levantamento, atrás apenas de Brasília (+13.097) e Florianópolis (+10.884).
Panorama demográfico do recorte analisado (2025-2026)
| Cidade | População 2025 | População 2026 | Ganho absoluto | Variação (%) |
| Joinville (SC) | 664.541 | 673.980 | +9.439 | +1,42% |
| Campo Grande (MS) | 962.883 | 970.843 | +7.960 | +0,83% |
| Maringá (PR) | 429.660 | 432.635 | +2.975 | +0,69% |
| Londrina (PR) | 581.382 | 584.465 | +3.083 | +0,53% |
| Curitiba (PR) | 1.830.795 | 1.832.183 | +1.388 | +0,08% |
Concentração do crescimento por porte do município
A distribuição dos dados demonstra que a descentralização populacional se consolida à medida que o porte da cidade diminui dentro do grupo de grandes e médios centros:
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200 mil a 500 mil habitantes (22 cidades): mediana de crescimento de 1,29%
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500 mil a 1 milhão de habitantes (6 cidades): mediana de crescimento de 0,96%
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Mais de 1 milhão de habitantes (3 cidades): mediana de crescimento de 0,44%
Em termos de crescimento percentual entre os 31 municípios analisados, destacam-se posições superiores tomadas por cidades catarinenses como Palhoça, Itajaí, Chapecó, São José, Florianópolis e Jaraguá do Sul, além de Sinop (MT), Valparaíso de Goiás (GO), Águas Lindas de Goiás (GO) e Rondonópolis (MT), todas à frente do índice percentual de Joinville (11º lugar com +1,42%).
Dinâmica nas regiões metropolitanas e impacto no setor imobiliário
A desaceleração das capitais contrasta com a força de expansão das suas regiões metropolitanas. Enquanto Curitiba somou 1.388 habitantes (+0,08%), os outros 28 municípios do seu entorno metropolitano ganharam 19.464 moradores (+1,03%), com destaque para Fazenda Rio Grande (+4.180) e São José dos Pinhais (+3.994). No total, a Região Metropolitana de Curitiba avançou 0,56% (+20.852 pessoas). Para efeito de comparação, a cidade de São Paulo registrou variação de 0,05% no mesmo período.
Essa reconfiguração nos fluxos migratórios gera impactos diretos na infraestrutura e no planejamento urbano. Para Maurício Dallagrana, superintendente regional da Plaenge em Joinville, o avanço populacional exige um olhar atento às necessidades habitacionais específicas de cada localidade.
"O crescimento das cidades médias e dos municípios próximos às capitais amplia a demanda por moradia, mas não de maneira uniforme. Cada região tem sua própria dinâmica, e conhecê-la é essencial para desenvolver empreendimentos coerentes com as necessidades locais. A demanda por moradia se distribui de maneiras distintas entre as cidades. Compreender as características de cada região é essencial para desenvolver projetos coerentes com as necessidades locais", avalia Maurício.
A análise do IBGE reafirma que o dinamismo econômico e a qualidade de vida oferecidos pelas cidades de porte médio e pelos polos catarinenses continuam sendo determinantes para atrair novos moradores, ditando os rumos do desenvolvimento regional para os próximos anos.