Bolsa cai pela 12ª vez

Bolsa cai pela 12ª vez
Foto: Reprodução

Thursday, 17 August 2023

Essa foi a maior sequência de desvalorização na história.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou a sessão desta quarta-feira (16) em queda de 0,50%, aos 115.591,52 pontos. É a 12ª queda consecutiva, um recorde histórico que superou a marca de fevereiro de 1984, quando houve desvalorização por 11 dias seguidos. No mês, a queda é de 5,21%. No ano, porém, a Bolsa ainda está em alta, de 5,34%.

O dólar comercial encerrou ficou estável e variou apenas 0,008%, encerrando o dia cotado a R$ 4,986.

Cenário interno

  • Não há registro de nenhuma sequência de 12 quedas consecutivas do Ibovespa desde 1980. A informação é de Einar Rivero, da plataforma Trademap. O Ibovespa foi criado em 1968, mas não há registros anteriores a 1980.
  • Sequência de quedas era esperada pelo mercado. Em carta aos clientes na segunda-feira (14), os analistas da BB Investimentos já alertavam para o fato de que a sequência de desvalorizações poderia continuar. "Ainda não vemos gatilhos para uma recuperação do Ibovespa nos próximos dias".
  • Investidores aproveitaram para embolsar lucros nos últimos dias. Já no final de março, investidores começaram a comprar ações que poderiam se beneficiar de uma eventual queda nos juros - o que aconteceu agora em agosto. Assim, os investidores decidiram que era hora de vender as ações e embolsar o lucro que tiveram até então. "O mercado sempre faz isso: sobe no boato e vende no fato", explica André Sanson, diretor de gestão de ativos da TM3 Capital, de Curitiba.
  • Ações de small caps, que dependem de financiamento para crescer, dispararam nos últimos meses. Enquanto o Ibovespa avançou 17,07% nos sete primeiros meses do ano, o índice de small caps cresceu 24,47%, segundo a Economatica. Agora, o movimento é inverso.
  • O mercado segue à espera dos desdobramentos da tramitação do novo arcabouço fiscal na Câmara, que pode abrir espaço para movimentos mais firmes no câmbio.
  • Ontem, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que houve um "atropelo" na véspera em relação às conversas para aprovação do novo marco fiscal, referindo-se a um mal-estar com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mas ponderou que há possibilidade de a questão do arcabouço ser resolvida na próxima semana.

Investidores estrangeiros deixam a Bolsa brasileira

  • O capital estrangeiro também foi embora da Bolsa. A desaceleração da economia chinesa e o rebaixamento do Estados Unidos afastam os investidores do mercado de ações no mundo todo. No início do mês, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito dos Estados Unidos de "AAA" para "AA+", apontando para uma deterioração fiscal nos próximos três anos.
  • Acabou também o "carry trade", operação que os investidores estrangeiros fazem com muita frequência. Eles pegam dinheiro emprestado nos Estados Unidos, a juros mais baixos, e aplicam aqui, onde as taxas eram maiores. "Com a alta dos juros lá nos Estados Unidos e a queda da Selic aqui, essa operação ficou menos atraente", diz Sanson.
  • A fuga de capital estrangeiro também acentua desvalorização do real. Sanson acredita que a moeda americana deva ficar entre R$ 4,80 e R$ 5 no final do ano. O que vai ajudar é a reação da economia, das empresas ao corte da Selic. "Se ela continuar caindo, isso tende a melhorar o consumo, a economia como um todo", afirma ele. Segundo o Focus, a expectativa geral do mercado é de um câmbio a R$ 4,93.

Cenário externo

  • Os mercados operaram em meio aos receios de que a desaceleração econômica chinesa possa ser aprofundar. Nesta quarta-feira, números oficiais mostraram que os preços das casas novas na China caíram em julho pela primeira vez este ano. O setor imobiliário responde por cerca de um quarto da atividade econômica do país.
  • No entanto, a mídia estatal chinesa afirmou hoje que o país buscará impulsionar o crescimento e atingir a meta econômica deste ano. A perspectiva de que Pequim atue para sustentar o crescimento dava certo suporte a algumas moedas de países exportadores de commodities, como o real. "A fraqueza da economia chinesa tem sido uma frustração", diz Luís Moran, diretor EQI Research. Como boa parte dos países exporta para a China, as vendas estão em queda. Isso afeta também o Brasil, já que o pais oriental é o maior parceiro comercial.
  • Nos Estados Unidos, inflação permanece alta - e juros não devem cair tão cedo. a ata da última reunião do Fed, banco central norte-americano, afirmou que a inflação permaneceu elevada, a atividade econômica continuou se expandindo em ritmo moderado e a taxa de desemprego seguiu baixa. Os dirigentes observaram que condições de crédito mais apertadas para as famílias provavelmente pesariam na atividade, nas contratações e no nível de preços — mas fizeram a ressalva de que a extensão desses efeitos ainda era incerta.
  • Na Europa, as bolsas operaram sem uma direção única após dados econômicos e de inflação. No Reino Unido, o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 6,8% em julho, na comparação anual, levemente acima da previsão do mercado que esperava uma alta de 6,7%.

Gestores esperam Bolsa acima dos 130 mil pontos

  • Ainda que o Ibovespa esteja, hoje, opor volta dos 116 mil pontos, gestores acreditam que o potencial é maior. A maioria dos gestores do mercado ainda está otimista. Segundo pesquisa de agosto do Bank of America (BofA), o percentual de entrevistados que prevê o Ibovespa negociado acima dos 120 mil pontos no final do ano é de 88%. Na edição de julho do levantamento, eram 76%.
  • O número de gestores com fé num Ibovespa acima dos 130 mil pontos quase dobrou. Passou de 23% para 41% em relação ao mês passado. Se isso realmente acontecer, significa que há um potencial de alta de 11,29% em relação ao fechamento da terça-feira (15), aos 116.171,42 pontos. Se a reforma tributária evoluir e for aprovada, esse é um gatilho capaz de fazer a Bolsa voltar ao positivo.

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