Mercado prevê novo aumento de juros hoje

Mercado prevê novo aumento de juros hoje
Foto: Imagem meramente ilustrativa

Wednesday, 29 January 2025

Comitê de Política Monetária se reúne na próxima quarta e deve subir juro para 13,25% ao ano. Com inflação pressionada, expectativa é de novas elevações no decorrer deste ano.

Os economistas do mercado preveem uma forte puxada na taxa básica da economia nos próximos meses para tentar conter a escalada inflacionária, um fenômeno conhecido como "choque de juros" no jargão financeiro.

Atualmente, a taxa Selic está em 12,25% ao ano, após quatro aumentos seguidos. No ranking de juros reais, o Brasil já está na segunda colocação.

A projeção dos analistas é de a taxa avance para 13,25% ao ano já na próxima quarta-feira (29), quando se reúne o Comitê de Política Monetária (Copom), formado pela diretoria e presidente da instituição.

  • Essa será a primeira reunião sob comando do novo presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
  • Também será a primeira vez que os diretores indicados por Lula serão maioria no Copom, que define a taxa de juros da economia.

E a previsão dos economistas é de que o juro continuará subindo nos próximos meses, atingindo 15% ao ano em junho de 2025.

  • Se confirmado, será o patamar mais elevado desde meados de 2006, no fim do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ou seja, em 19 anos.
  • As previsões têm por base informações do próprio Banco Central, que indicou aumentos seguidos na Selic. Mas o mercado prevê elevações além das sinalizadas pela instituição.

Por que o BC sobe os juros?

A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre.

Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções estão em linha com as metas, pode baixar os juros. Se estão acima, tende a manter ou subir a Selic.

A partir de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo de 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.

  • Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses.
  • Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
  • Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro semestre de 2026.
  • Para 2025, 2026, 2027 e 2028, a projeção do mercado para a inflação oficial está em 5,08% (com estouro da meta), 4,10%, 3,90% e em 3,58%. Ou seja, acima da meta central de 3%, buscada pelo BC.

No ano passado, a inflação ficou acima do teto do sistema de metas ao somar 4,83%. Com isso, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, teve de escrever uma carta pública ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando os motivos.

Nos últimos meses, efeitos climáticos, como secas, que impactaram, por alguns meses, os preços dos alimentos e, também, da energia elétrica — levando ao acionamento das bandeiras tarifárias para reduzir o consumo.

Outro fator que influenciou a inflação foi o dólar alto, relacionado com o cenário externo (atuação de Donald Trump no governo) e dúvidas do mercado financeiro sobre as contas públicas, ou seja, sobre a capacidade de o governo brasileiro de conter a alta do endividamento.

Além disso, o forte ritmo da atividade econômica, que tem surpreendido analistas nos últimos anos e levado o desemprego às mínimas históricas, também tem atuado para pressionar para cima a inflação — principalmente no setor de serviços.

O que dizem analistas e o setor produtivo

De acordo com análise feita pela Suno, liderado pelo economista Gustavo Sung, as projeções de inflação do mercado têm sido constantemente revisadas para cima, e o IPCA deve permanecer acima do limite superior da meta de inflação (de 4,5%).

Com a Selic atingindo níveis que não eram vistos há 20 anos, segundo o sócio-diretor da MAG Investimentos, Claudio Pires, a expectativa é de que a atividade econômica desacelere, com impactos também no mercado de trabalho.

Para a equipe do C6 Bank, conduzida por Felipe Salles, os dados sinalizam que houve uma leve piora no cenário para a inflação desde dezembro do ano passado, com aumento na estimativa de inflação, para o dólar e para a taxa de juros.

Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), afirmou que a entidade reconhece a importância do controle da inflação para a estabilidade econômica, mas avalia que uma nova alta da Selic, em um momento em que os juros já se encontram em patamares elevados, pode trazer mais prejuízos do que benefícios.

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, os juros altos custam muito caro ao Brasil, pois os empresários que precisam investir na compra de máquinas e equipamentos, ou mesmo contratar capital de giro par fazer frente às necessidades financeiras do dia a dia, sentem os seus efeitos.

Em sua visão, o choque na taxa de juros não é necessário, pois o nível atual já é suficiente para o controle da inflação. "A taxa de juros real do Brasil está em 6,8% ao ano. Isso significa que está 1,8% acima da taxa de juros neutra estimada pelo Banco Central, e aponta para uma política monetária bastante contracionista. Aliás, ela está no campo contracionista há 36 meses", avaliou.


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Redação

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