Produção industrial recua em setembro

Tuesday, 04 November 2025
resultado interrompe parte do avanço de 0,7% observado no mês anterior e aponta perda de ritmo na atividade econômica e sinaliza perda de fôlego.
A produção industrial brasileira registrou queda de 0,4% em setembro de 2025, em comparação com agosto, segundo dados divulgados nesta terça-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe parte do avanço de 0,7% observado no mês anterior e aponta perda de ritmo na atividade econômica, embora o setor ainda esteja 2,3% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020.
O levantamento mostra que a indústria nacional permanece 14,8% abaixo do recorde histórico de maio de 2011. Na comparação com setembro de 2024, houve alta de 2,0%, enquanto o acumulado do ano indica crescimento de 1,0% e, em 12 meses, de 1,5%, evidenciando desaceleração em relação aos meses anteriores.
Setores que puxaram a retração
Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, a queda foi influenciada por segmentos de grande peso na estrutura industrial.
“O setor industrial voltou a registrar perda, influenciada, principalmente, por segmentos como a indústria farmacêutica, o setor extrativo e a indústria automobilística, que juntos respondem por cerca de 23% do total da indústria geral”, afirmou.
Entre as 25 atividades analisadas, 12 tiveram retração em setembro. O maior impacto negativo veio dos produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com queda de 9,7%, após quatro meses consecutivos de alta — período em que haviam acumulado crescimento de 28,2%. As indústrias extrativas recuaram 1,6%, intensificando a perda de 0,4% de agosto. Já o setor de veículos automotores, reboques e carrocerias caiu 3,5%, devolvendo parte do ganho de 3,7% registrado entre junho e agosto.
Alimentação sustenta parte do desempenho positivo
Por outro lado, 13 ramos industriais apresentaram crescimento. O destaque foi o setor de produtos alimentícios, com alta de 1,9%, o terceiro mês seguido de avanço e expansão acumulada de 4,4% no período. O resultado foi impulsionado pela produção de sucos concentrados de laranja, carnes de aves e bovinos e açúcar cristal.
Outros setores com desempenho positivo incluem produtos do fumo (19,5%), madeira (5,5%), borracha e plástico (1,3%), máquinas e equipamentos elétricos (1,7%), calçados e artigos de couro (2,3%), bebidas (1,1%) e metalurgia (0,5%).
Comparação anual indica crescimento moderado
Na comparação com setembro de 2024, a produção industrial subiu 2,0%, com avanço em duas das quatro grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos pesquisados. O setor de alimentos foi novamente o principal destaque, com alta de 7,1%, seguido pelas indústrias extrativas, com crescimento de 5,2%.
Segundo Macedo, a base de comparação mais baixa do ano anterior ajudou a amplificar o resultado positivo.
“No setor de produtos alimentícios, 70% dos itens pesquisados registraram aumento na produção, mostrando um perfil disseminado de crescimento”, afirmou o pesquisador.
Pressões sobre energia e biocombustíveis
O IBGE também registrou quedas expressivas em segmentos como produtos farmacêuticos (-10,2%), celulose e papel (-5,9%), manutenção e reparação de máquinas (-12,0%), máquinas e equipamentos (-4,7%), têxteis (-11,8%) e produtos do fumo (-35,0%).
O setor de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis recuou 7,2%, impactado pela menor produção de etanol e gasolina automotiva. De acordo com Macedo, as usinas priorizaram a produção de açúcar, aproveitando as condições mais vantajosas do mercado internacional.
Indicadores e metodologia
A Pesquisa Industrial Mensal (PIM), em vigor desde os anos 1970, passou por atualização metodológica em 2023, com nova estrutura de ponderação, revisão de amostras e inclusão de novas unidades da federação. O estudo é considerado essencial para o monitoramento de curto prazo da atividade industrial e para a formulação de políticas econômicas.