Fim da escala 6x1: O impacto no comércio e preços em Blumenau

Saturday, 24 January 2026
Especialistas alertam para riscos na produtividade e repasse de custos ao consumidor com a proposta de mudança na jornada de trabalho.
O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força em Brasília, mas os ecos da proposta preocupam diretamente o setor produtivo de Blumenau. Conhecida por sua força no comércio e na gastronomia — especialmente em polos como a Vila Germânica e o Centro — a região pode enfrentar uma reestruturação profunda. Entidades setoriais e economistas alertam que, embora o bem-estar do trabalhador seja o foco, o custo operacional pode gerar um efeito dominó na inflação local e na produtividade das empresas.
Riscos à produtividade e inflação de serviços
Segundo o alerta de setores da macroeconomia, a transição abrupta para um modelo de menos dias trabalhados sem a redução proporcional de salários pode reduzir a produtividade global. Para o empresário blumenauense, o desafio é matemático: para manter as portas abertas seis ou sete dias por semana, será necessário contratar mais mão de obra para cobrir as folgas, o que encarece o produto final.
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Aumento de custos: Setores como bares, restaurantes e hotéis — vitais para o turismo de Blumenau — são os mais sensíveis.
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Repasse ao consumidor: Com a folha de pagamento mais alta, a tendência é que o preço do prato feito, do vestuário e dos serviços básicos sofra reajustes para equilibrar as contas.
O impasse entre bem-estar e viabilidade financeira
A proposta defende que o trabalhador terá mais tempo para qualificação e lazer, o que poderia, em teoria, aumentar o consumo. No entanto, o alerta macroeconômico destaca que o Brasil ainda possui um índice de produtividade por hora trabalhada baixo se comparado a países desenvolvidos. Sem uma reforma que desonere a folha de pagamento, o fim da escala 6x1 pode pressionar pequenas empresas da nossa região que operam com margens estreitas.
O que esperar para Blumenau e o Vale?
Como polo têxtil e tecnológico, Blumenau serve de termômetro para Santa Catarina. Se a proposta avançar sem travas de segurança para o empregador, especialistas preveem uma aceleração da automação para substituir postos de trabalho que se tornarem economicamente inviáveis.