Indústria fecha 2025 estagnada e alerta setor produtivo em Blumenau

Friday, 06 February 2026
Dados da CNI mostram que faturamento real não cresceu no último ano; juros altos e incerteza econômica travam investimentos.
A indústria brasileira encerrou o ano de 2025 com o "freio de mão puxado". Segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real do setor registrou variação zero (0,0%) no acumulado do ano passado. O resultado acende um alerta para cidades com DNA fabril, como Blumenau, onde a saúde das empresas têxteis, metalmecânicas e de tecnologia depende diretamente do ritmo do consumo e da capacidade de investimento.
O cenário de estagnação interrompe uma trajetória que buscava recuperação. De acordo com o levantamento, o faturamento não foi o único indicador a patinar: as horas trabalhadas na produção também apresentaram uma queda leve, de 0,2%, sinalizando que as fábricas estão operando com cautela diante de um cenário macroeconômico ainda nebuloso.
O peso dos juros no chão de fábrica blumenauense
Para o empresariado local, o relatório da CNI apenas confirma o que se sente no dia a dia das operações no Vale do Itajaí. O principal vilão apontado pela entidade é o custo do crédito. Com as taxas de juros em patamares elevados ao longo de 2025, o financiamento para modernização de maquinário e expansão de plantas industriais tornou-se proibitivo para muitos médios e pequenos industriais da nossa região.
Apesar da estagnação no faturamento, há um dado que traz um alento moderado: o emprego industrial teve uma pequena oscilação positiva de 0,3% no ano. Isso indica que, mesmo sem vender mais, as indústrias estão tentando manter seus quadros de funcionários qualificados, evitando demissões em massa na expectativa de uma melhora em 2026.
Perspectivas para 2026: o que esperar?
A CNI destaca que a confiança do empresário ainda não recuperou o fôlego necessário para novos ciclos de crescimento. Para Blumenau, que historicamente lidera as exportações e a inovação em Santa Catarina, a estagnação nacional exige estratégias de eficiência interna e busca por novos mercados.
Especialistas indicam que, para 2026, a indústria só deve voltar a crescer de forma sustentada caso haja um alívio na política monetária e uma sinalização clara de estabilidade fiscal, fatores essenciais para baixar o custo Brasil e tornar nossos produtos mais competitivos.