Polêmica no campo: peões terão que trocar chapéu por capacete?

Friday, 06 February 2026
CNA esclarece regras da NR-31 e nega proibição do chapéu, mas alerta para o uso de proteção em atividades de risco.
Uma notícia que viralizou nas redes sociais nesta primeira semana de fevereiro de 2026 colocou em xeque uma das tradições mais fortes do homem do campo em Blumenau e região: o uso do chapéu. Publicações recentes afirmavam que uma nova lei obrigaria peões a cavalo e trabalhadores rurais a substituírem o acessório pelo capacete, sob pena de multas pesadas para os proprietários de fazendas. No entanto, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) emitiu uma nota técnica para desmentir a proibição generalizada e detalhar o que realmente diz a legislação.
De acordo com a CNA, não houve mudança recente que proíba o chapéu. A regra vigente continua sendo a NR-31, estabelecida em 2005 e atualizada em 2024, que foca no gerenciamento de riscos. Na prática, o capacete só é obrigatório quando a análise técnica da atividade identificar riscos reais de impacto, queda de objetos ou traumas na cabeça. Para o pastoreio comum ou deslocamentos a cavalo onde não há esses riscos específicos, o chapéu segue permitido e é reconhecido pela norma como proteção contra o sol e a chuva.
A confusão ganhou força após a publicação da Portaria MTE nº 104/2026, que endureceu a fiscalização sobre normas de segurança. Em Blumenau, onde a cultura dos rodeios e a lida com o gado são marcantes, produtores demonstraram preocupação com o impacto na identidade rural. Especialistas explicam que o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) deve ser ditado pelo bom senso e pela segurança do trabalhador, sem que isso signifique o fim de símbolos culturais, desde que a integridade física seja preservada.
O debate chegou ao Congresso Nacional, onde parlamentares tentam sustar pontos da nova portaria para evitar interpretações subjetivas de fiscais que possam gerar multas injustas. Por ora, o produtor rural de Blumenau e do Médio Vale deve manter o foco no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) de sua propriedade, garantindo que o capacete esteja disponível para atividades de manejo em currais ou construções, enquanto o chapéu continua firme na lida diária e nas cavalgadas da região.