Gasolina cai na refinaria, mas preço sobe 27% nos postos em três anos

Monday, 09 February 2026
Motorista paga R$ 1,35 a mais por litro desde 2022; impostos e custos logísticos anulam reduções da Petrobras.
Desde dezembro de 2022, o preço médio da gasolina nos postos subiu de R$ 4,98 para R$ 6,33, uma alta de 27,1%, apesar de a Petrobras ter reduzido o valor para as distribuidoras em 16,4% no mesmo período. O descompasso entre a queda nas refinarias e a alta nas bombas é explicado pelo peso dos impostos (ICMS e PIS/Cofins), a valorização do etanol e os custos logísticos da cadeia de distribuição.
Como está o preço da gasolina em Blumenau e no Brasil hoje?
Para quem circula pela Rua XV ou abastece nos bairros Garcia e Vila Itoupava, a sensação de que o combustível pesa mais no bolso é confirmada pelos dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo). O custo para encher um tanque de 50 litros subiu, em média, R$ 67,50 nos últimos três anos. Embora a Petrobras tenha efetuado oito cortes e apenas três elevações desde o fim de 2022, totalizando uma redução nominal de R$ 0,51 por litro na refinaria, o consumidor final não sentiu esse alívio.
O que aconteceu com a composição dos preços dos combustíveis?
A parcela da Petrobras representa menos de um terço (28,4%) do valor final da gasolina. O restante é formado pela mistura obrigatória de etanol (16,4%), impostos federais (10,7%), ICMS estadual (24,8%) e as margens de lucro de distribuidoras e postos (19,6%).
Segundo especialistas como Ricardo Hammoud, professor do Ibmec-SP, o fim da isenção do PIS/Cofins e o aumento do ICMS foram determinantes para anular as quedas vindas da refinaria. A carga tributária tem efeito imediato nas bombas por possuir alíquotas fixas, ao contrário das flutuações da Petrobras que dependem de repasses de terceiros.
Situação do trânsito na BR-470 e o impacto nos custos logísticos
A dinâmica regional também influencia o que o motorista paga. Renato Mascarenhas, diretor da Edenred Mobilidade, destaca que a logística e os custos operacionais são fundamentais na formação do preço. No caso de Santa Catarina, a eficiência no transporte impacta diretamente a margem de revenda.
Do lado dos donos de postos, a defesa é de que eles não são os "vilões". O presidente do Sincopetro, José Alberto Gouveia, afirma que a margem para repassar cortes é limitada, muitas vezes conseguindo reduzir apenas uma fração do que foi cortado na refinaria devido aos custos fixos e à concorrência, que por vezes enfrenta desafios como o mercado irregular e a lavagem de dinheiro no setor.