Exportações de Santa Catarina recuam 3,7% em janeiro e sinalizam alerta

Exportações de Santa Catarina recuam 3,7% em janeiro e sinalizam alerta
Foto: Para diminuir os impactos, parceiros comerciais além de Estados Unidos e China devem ser buscados (r

Tuesday, 10 February 2026

Com queda nas vendas para grandes mercados como EUA e China, balança comercial catarinense inicia 2026 sob pressão.

O setor produtivo de Santa Catarina iniciou 2026 com um desafio extra no comércio exterior. Em janeiro, as exportações do estado somaram US$ 815,4 milhões, o que representa um recuo de 3,7% em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados, divulgados pelo Observatório FIESC, acendem o sinal amarelo para os polos industriais catarinenses, incluindo Blumenau e o Vale do Itajaí.

A retração foi puxada principalmente pela redução na demanda de três dos maiores parceiros comerciais do estado: Estados Unidos, China e Argentina. De acordo com especialistas, o cenário reflete a combinação de uma desaceleração econômica global e incertezas tarifárias no mercado norte-americano.

O impacto nos principais mercados e produtos

Apesar do recuo geral, alguns setores conseguiram nadar contra a corrente. As exportações de carnes e transformadores apresentaram crescimento, mas não o suficiente para compensar a perda em outros nichos. No setor de madeira, por exemplo, a queda no compensado chegou a expressivos 36,3%.

"Nosso produto exportado é mais refinado, e por isso sentimos mais o impacto dessas incertezas internacionais", avalia o economista Bruno Haeming, do Observatório FIESC.

A balança comercial também registrou queda nas importações, que somaram US$ 3 bilhões em janeiro — um recuo de 8%. A menor compra de insumos industriais estrangeiros é um reflexo direto dos juros altos no Brasil e do planejamento mais cauteloso das indústrias locais para o primeiro trimestre.

Reflexos para Blumenau e o Vale do Itajaí

Para Blumenau e região, a estabilidade das exportações é vital para a manutenção dos empregos e o giro da economia local. O enfraquecimento das vendas para os EUA é particularmente sensível para a indústria têxtil e metalmecânica do Vale. Por outro lado, a prospecção de novos mercados como México, Emirados Árabes e Itália surge como uma alternativa estratégica para diversificar a pauta exportadora.

As indústrias da região agora monitoram de perto a evolução do acordo Mercosul-União Europeia e as políticas tarifárias globais, buscando reverter o saldo negativo nos próximos meses e garantir que 2026 retome a trajetória de crescimento vista em 2025.

Recomendações para o setor industrial

Para mitigar os impactos da retração internacional, especialistas sugerem:

  • Diversificação de destinos: Buscar mercados emergentes para reduzir a dependência de EUA e China;

  • Foco em eficiência: Otimizar custos operacionais diante da queda na demanda por insumos;

  • Monitoramento tarifário: Acompanhar as mudanças nas políticas de comércio exterior para antecipar movimentos de mercado.


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Redação

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