Fim da escala 6x1: como as propostas de Hilton e Lopes impactam o trabalhador

Wednesday, 11 February 2026
Debate ganha força na Câmara com projetos que buscam reduzir jornada para 36 horas semanais e acabar com o regime de seis dias de trabalho.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 — jornada onde se trabalha seis dias para um de descanso — atingiu um novo patamar de relevância no Congresso Nacional. Com a pressão popular crescendo nas redes sociais e nas ruas, o debate agora gira em torno de duas frentes parlamentares principais: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e o projeto já existente do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Para o trabalhador de Blumenau, especialmente nos setores de comércio e serviços, a mudança promete transformar a rotina produtiva.
O lide da questão é claro: ambas as propostas visam a redução da jornada máxima semanal de 44 para 36 horas. No entanto, o caminho para chegar lá diverge entre o imediatismo e a transição gradual. Enquanto o texto de Erika Hilton propõe uma mudança direta para o modelo de quatro dias de trabalho (escala 4x3), a proposta de Reginaldo Lopes sugere uma adaptação escalonada ao longo de dez anos, permitindo que a economia e as empresas se ajustem sem choques bruscos de custos.
Diferenças fundamentais entre as propostas
Para entender o que pode mudar na Vila Germânica ou nos centros comerciais de Blumenau, é preciso olhar os detalhes técnicos:
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PEC Erika Hilton: Foca na saúde mental e qualidade de vida, estabelecendo a escala 4x3 como padrão. A proposta ganhou tração com o apoio do movimento VAT (Vida Além do Trabalho).
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Projeto Reginaldo Lopes: Defende que a redução da jornada é um caminho para a produtividade tecnológica. O texto prevê uma transição de uma década, mitigando impactos imediatos sobre o setor produtivo.
O impacto em Blumenau e região
Como um polo econômico forte em Santa Catarina, Blumenau observa o debate com atenção. Setores como a indústria têxtil e o varejo local são os que mais operam sob regimes que a nova legislação pretende extinguir. Críticos à medida alertam para o possível aumento de custos operacionais, enquanto defensores apontam que o aumento do tempo livre gera um círculo virtuoso de consumo e lazer na própria cidade.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, já sinalizou que o tema é prioridade e deve ser pautado para votação ainda neste semestre. A expectativa é que as propostas sejam apensadas para criar um texto de consenso que equilibre os direitos trabalhistas com a sustentabilidade das empresas.