Economia: dólar cai no exterior, mas real segue sem força própria

Economia: dólar cai no exterior, mas real segue sem força própria
Foto: Moeda estrangeira apenas escancara a fraqueza do nosso dinheiro (reprodução)

Saturday, 14 February 2026

Analista Alan Ghani explica por que o alívio no câmbio é fruto do cenário global e alerta para os riscos fiscais do Brasil.

Nos últimos dias, o mercado financeiro tem observado um recuo no valor da moeda norte-americana, trazendo um fôlego aparente para o bolso do brasileiro. No entanto, para quem acompanha os bastidores da economia em Blumenau e no Vale do Itajaí, é preciso cautela: o movimento não indica um fortalecimento real da nossa moeda, mas sim uma fraqueza momentânea do dólar no cenário internacional.

O economista Alan Ghani destaca que a valorização que vemos nas telas das corretoras é, na verdade, um reflexo de fatores externos, como ajustes nas taxas de juros dos Estados Unidos e mudanças no apetite ao risco global. Enquanto o dólar perde força perante uma cesta de moedas, o real apenas "pega carona" nessa desvalorização global, sem apresentar fundamentos internos que justifiquem uma alta sustentável.

O impacto nos negócios de Blumenau

Para uma região com forte DNA exportador e industrial como Blumenau, entender essa dinâmica é vital. Quando o dólar cai por razões externas, mas a economia doméstica continua pressionada por incertezas fiscais e gastos públicos elevados, o empresariado local enfrenta um cenário de "falsa estabilidade". A falta de reformas estruturais no Brasil impede que o real se valorize por méritos próprios.

Ghani reforça que, se o cenário externo mudar e o dólar voltar a se fortalecer globalmente, o real será uma das moedas mais castigadas, justamente por não ter feito o "dever de casa" na área fiscal.

Por que o real não sobe?

A grande questão que o investidor catarinense deve ter em mente é o prêmio de risco. Mesmo com taxas de juros elevadas no Brasil (Selic), o capital estrangeiro hesita em se estabelecer de forma duradoura por aqui devido ao receio com as contas públicas. Assim, o real permanece refém do humor de Brasília e das decisões do Federal Reserve (o Banco Central americano).

Em resumo, o alívio que vemos hoje no câmbio é importado. Para que o morador de Blumenau sinta uma melhora real no poder de compra e uma inflação verdadeiramente controlada, o país precisaria projetar mais confiança e menos gastos, permitindo que a moeda brasileira caminhasse com as próprias pernas.


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Redação

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