Setor logístico prevê alta de custos ao consumidor com fim da jornada 6x1

Setor logístico prevê alta de custos ao consumidor com fim da jornada 6x1
Foto: Essa alta poderia gerar uma inflação brutal (reprodução)

Monday, 16 February 2026

Mudança na escala de trabalho pode elevar despesas operacionais em transporte e armazenamento, impactando diretamente o preço final nas prateleiras.

A proposta de alteração da jornada de trabalho de 6x1 para modelos mais reduzidos acendeu o sinal de alerta no setor logístico brasileiro. Entidades do segmento preveem que a mudança causará um efeito cascata nos custos de operação, que fatalmente serão repassados ao consumidor final. Para uma região como o Vale do Itajaí, que abriga grandes transportadoras e centros de distribuição, o debate ganha contornos de urgência econômica.

De acordo com o setor, a logística funciona sob um regime de fluxo contínuo para garantir que produtos cheguem rapidamente aos portos, indústrias e supermercados. A transição para uma jornada reduzida exigiria a contratação de novos turnos e o pagamento de horas extras adicionais para manter a produtividade atual, elevando as despesas com folha de pagamento em um setor onde a margem de lucro já é pressionada pelo preço dos combustíveis e manutenção de frotas.

O impacto no bolso do blumenauense

O setor logístico é o "sangue" que irriga a economia de Blumenau e região. Com o aumento do custo do frete e do armazenamento, itens básicos do dia a dia — do vestuário produzido aqui até os alimentos que vêm de fora — podem sofrer reajustes. Analistas apontam que a eficiência logística é um dos pilares que mantém os preços competitivos; qualquer alteração estrutural sem contrapartida de produtividade gera inflação setorial.

Contratações e desafios operacionais

Além do aumento financeiro, existe o desafio da mão de obra qualificada. O setor já enfrenta dificuldades para preencher vagas de motoristas e operadores logísticos. Com a necessidade de ampliar o quadro funcional para cobrir as folgas da nova escala, as empresas temem uma escassez ainda maior de profissionais, o que poderia gerar gargalos no escoamento da produção catarinense.

Embora o debate sobre a qualidade de vida do trabalhador seja legítimo, representantes patronais defendem que a medida precisa de cautela e uma análise profunda sobre os impactos na inflação e na competitividade das empresas brasileiras frente ao mercado internacional.


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Redação

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