Fim da escala 6x1 pode derrubar o PIB em 6,2% e elevar custos

Fim da escala 6x1 pode derrubar o PIB em 6,2% e elevar custos
Foto: Se a proposta passar, pode ser o fim da CLT (reprodução)

Tuesday, 17 February 2026

Estudo da FGV-Ibre alerta para queda bilionária na economia e alta de até 22% no valor da hora trabalhada sem ganho de produtividade.

O debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais ganhou novos dados técnicos que acendem um alerta para o setor produtivo de Blumenau e do Vale do Itajaí. Segundo simulações do FGV-Ibre, a mudança pode causar uma retração de 6,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, caso não haja um aumento correspondente na produtividade — um desafio histórico para a economia nacional.

Para o trabalhador e o empresário blumenauense, o impacto é direto: o custo da hora trabalhada pode subir, em média, 17,6% no conjunto dos empregos formais. Em setores que hoje cumprem o teto de 44 horas, esse aumento chega a 22%, pressionando diretamente o comércio e a indústria local, motores da economia da nossa região.

Impactos desiguais nos setores

Os efeitos da proposta não seriam homogêneos. O setor de transportes, por exemplo, aparece como um dos mais vulneráveis, com uma perda estimada de 14,2% no valor adicionado. Em uma região logística como o Vale do Itajaí, esses números preocupam lideranças setoriais. De acordo com a Firjan, o custo anual para a economia brasileira poderia atingir R$ 180 bilhões.

A última grande alteração na jornada ocorreu na Constituição de 1988, quando o limite caiu de 48 para 44 horas. Naquela época, a média efetiva de trabalho recuou apenas um ponto percentual no ano seguinte. Agora, a proposta de redução para 36 horas é vista por entidades como a CNI e a CNC como "inoportuna", apontando que a medida pode gerar inflação e até demissões em setores que dependem intensamente de mão de obra.

O desafio da produtividade

O ponto central destacado pelos especialistas é a estagnação da produtividade brasileira, que, exceto na agropecuária, permanece praticamente imóvel há décadas. Sem produzir mais no mesmo espaço de tempo, a redução da carga horária resulta em aumento de custos operacionais.

Enquanto o governo e parte do Congresso articulam a votação da medida, entidades do setor produtivo defendem que a flexibilização deve ser tratada via acordos coletivos, respeitando as particularidades de cada segmento, em vez de uma regra única imposta por lei. Para Blumenau, cidade com forte DNA empreendedor, o equilíbrio entre bem-estar social e sustentabilidade econômica permanece no centro da discussão.


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Redação

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