Investimento em imóveis compactos ganha força com projeção de queda nos juros

Investimento em imóveis compactos ganha força com projeção de queda nos juros
Foto: A busca por imóveis tipo studio tem crescido vertiginosamente (divulgação)

Thursday, 19 February 2026

Estratégia foca na eficiência do metro quadrado e na alta demanda por locação em cidades com economia acelerada no litoral catarinense.

Investidores do mercado imobiliário catarinense estão recalculando rotas para aproveitar a janela de oportunidade aberta pelas projeções econômicas. Com a expectativa de que a taxa Selic recue para o patamar de 9,5% até 2028, o foco tem se voltado para os imóveis compactos, que registraram uma valorização superior à média de mercado nos últimos meses.

De acordo com dados do Índice FipeZap, apartamentos de um dormitório tiveram alta acima de 10% no último ano, alcançando um teto médio de locação de R$ 68,00/m². Para quem vive em Blumenau e costuma investir no litoral, o cenário em cidades vizinhas, como Itajaí, apresenta um laboratório interessante de como a economia portuária e logística influencia o setor residencial.

O fator "renda média" e a barreira do crédito

O interesse pelos compactos não é apenas uma preferência estética, mas uma resposta à realidade financeira. Em polos logísticos como Itajaí, a renda média do trabalhador formal — que inclui analistas, universitários e profissionais de serviços — varia entre R$ 3.400 e R$ 3.800.

Com os juros atuais, este público encontra dificuldades para acessar financiamentos de imóveis de médio e alto padrão. Como consequência, há uma pressão crescente sobre o mercado de locação, reduzindo a vacância (imóveis vazios) e garantindo um retorno mensal constante para quem detém o patrimônio.

A estratégia do retorno em três frentes

Especialistas do setor apontam que o investidor que se posiciona agora em áreas de alta demanda laboral busca o que chamam de rentabilidade em "dose tripla":

  1. Renda de Aluguel: Valorização do aluguel por metro quadrado acima de modelos tradicionais.

  2. Valorização Patrimonial: O ganho real sobre o valor do imóvel na planta, potencializado pela futura queda dos juros.

  3. Liquidez de Revenda: A facilidade de vender o ativo no futuro, já que unidades menores possuem um público comprador muito mais amplo.

Impacto dos programas habitacionais

Mesmo para o investidor que não utiliza subsídios governamentais, o fortalecimento de programas como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) acaba beneficiando o segmento de compactos. O aumento do teto do programa cria uma "porta de saída" segura para o investidor.

Se em cinco anos o proprietário decidir vender o imóvel, haverá uma base sólida de compradores — jovens profissionais e estudantes — aptos a financiar unidades funcionais com taxas facilitadas, mantendo o mercado aquecido e o capital com alta rotatividade. No novo cenário imobiliário catarinense, a liquidez tem se tornado um ativo tão valioso quanto a própria localização do imóvel.


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Redação

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