Indústria e comércio fecham 34 mil vagas de nível superior em 2025

Indústria e comércio fecham 34 mil vagas de nível superior em 2025
Foto: Técnicos trabalhando na indústria (divulgação)

Monday, 23 February 2026

Dados da FGV apontam retração histórica na contratação de profissionais graduados; construção civil também registra queda.

O mercado de trabalho brasileiro encerrou 2025 com um sinal de alerta para quem investiu anos na universidade. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), os setores de indústria, comércio e construção civil cortaram, somados, cerca de 34 mil postos de trabalho que exigiam ensino superior. O fenômeno reflete uma reestruturação nas cadeias produtivas e acende o debate sobre a desvalorização do diploma em setores estratégicos.

Para Blumenau, um dos principais polos industriais e têxteis do país, os números da FGV ressoam com força nas associações empresariais e sindicatos. A cidade, que respira inovação e manufatura, observa de perto esse movimento de "rebaixamento" educacional nas contratações, onde funções técnicas ganham espaço sobre cargos de gestão e especialização acadêmica.

O impacto nos setores-chave de Blumenau

A indústria foi a mais afetada, liderando o fechamento de postos qualificados. No Vale do Itajaí, onde o setor têxtil e metalmecânico são pilares da economia, a redução de vagas para graduados pode indicar um movimento de automação ou de busca por mão de obra mais operacional e barata.

A construção civil, que vive um boom vertical em Blumenau e cidades vizinhas como Itapema e Balneário Camboriú, também apresentou saldo negativo para engenheiros e arquitetos em regime CLT, sugerindo uma migração para contratos por projeto (PJ) ou terceirização de serviços especializados.

Comércio e o desafio da qualificação

No comércio, a queda de vagas com ensino superior reflete a digitalização agressiva do setor. Gerentes e analistas graduados perdem espaço para sistemas de inteligência artificial e processos automatizados de logística. Em Blumenau, o setor varejista — tradicionalmente forte no centro e nos shoppings da região — sente a pressão de equilibrar custos operacionais com a necessidade de talentos qualificados.

O que o profissional do Vale deve fazer?

Especialistas em RH da região de Blumenau sugerem que o cenário não é de desistência dos estudos, mas de adaptação. O mercado está priorizando "competências híbridas": o diploma de graduação já não é o diferencial único, sendo necessário somar conhecimentos técnicos específicos (como domínio de softwares de gestão industrial) e habilidades comportamentais.

A "encruzilhada do diploma" em 2025 mostra que os grandes motores da economia catarinense estão em processo de recalibragem. Para o trabalhador local, o acompanhamento desses dados da FGV é essencial para decidir os próximos passos na carreira e entender para onde o capital das empresas blumenauenses está migrando.


>> SOBRE O AUTOR

Redação

>> COMPARTILHE