Os 5 penduricalhos mais inacreditáveis do funcionalismo que desafiam o teto

Thursday, 26 February 2026
Decisão do STF sobre benefícios extras repercute em Blumenau e acende alerta sobre o uso de recursos públicos acima do limite constitucional.
Enquanto o trabalhador de Blumenau ajusta as contas para lidar com o custo de vida, um debate acalorado em Brasília atinge diretamente o bolso de todos os brasileiros: os chamados "penduricalhos". O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a suspensão de pagamentos que fazem salários do funcionalismo ultrapassarem — e muito — o teto constitucional de R$ 46,3 mil.
O lide da questão é ético e financeiro. Esses adicionais, muitas vezes camuflados como "verbas indenizatórias", garantem que magistrados e membros do Ministério Público recebam valores que chegam a dobrar o limite permitido por lei. Em 2025, o ganho médio líquido de um magistrado no Brasil foi de R$ 81,5 mil, valor 76% superior ao teto.
Conheça os 5 benefícios mais controversos do setor público
A lista abaixo detalha os privilégios que estão sob a mira da nova liminar do ministro Flávio Dino, que busca colocar ordem nas contas públicas:
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Auxílio-livro e gratificações culturais: Em alguns tribunais, o reembolso para compra de livros e até subsídios para atividades culturais são pagos sem a necessidade de comprovação rigorosa de uso estritamente profissional.
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Licença-prêmio convertida em dinheiro: Servidores que não gozam períodos de licença especial conseguem transformar esses dias em pagamentos em conta, gerando montantes retroativos que somam centenas de milhares de reais.
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Adicional por tempo de serviço (Quinquênios): Embora extinto para a maioria dos trabalhadores, o bônus acumulado a cada cinco anos continua inflando folhas de pagamento no Judiciário e Legislativo.
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Auxílio-moradia em cidade própria: Um dos pontos mais criticados é o pagamento de auxílio-moradia para agentes públicos que possuem residência fixa na cidade onde trabalham, desvirtuando a natureza "indenizatória" do benefício.
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Vantagens por acúmulo de funções administrativas: Gratificações por participar de conselhos ou comissões internas que, somadas ao salário base, ignoram completamente a barreira do teto constitucional.
O impacto da decisão e a realidade em Santa Catarina
A medida cautelar determina que estados e municípios revisem, em até 60 dias, todas as verbas que não possuem previsão expressa em lei federal. Para Blumenau e região, onde a eficiência na gestão pública é um tema constante nas rodas de conversa e entidades de classe, a transparência sobre esses valores é fundamental para manter a confiança nas instituições.
O cenário é de tensão: associações de classe argumentam que esses valores são direitos adquiridos, enquanto especialistas apontam que o crescimento de 43% nesses gastos em apenas um ano é insustentável para o orçamento da União.