Supermercados em alerta: fim da escala 6x1 pode elevar preços

Supermercados em alerta: fim da escala 6x1 pode elevar preços
Foto: Corredor de um atacarejo (divulgação)

Friday, 27 February 2026

Mudança na jornada de trabalho gera preocupação no varejo; Abras prevê repasse de custos operacionais para os consumidores no Vale;

O debate nacional sobre o fim da escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho para um de folga) chegou com força às gôndolas dos supermercados de Blumenau e região. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) emitiu um sinal de alerta nesta semana: a transição para modelos como o 5x2 ou 4x3 pode gerar um aumento direto nos custos operacionais, com reflexo imediato nos preços dos alimentos para o consumidor final.

Em Blumenau, cidade onde o setor supermercadista é um dos maiores empregadores e movimenta boa parte da economia local, a preocupação é com o equilíbrio entre o bem-estar do trabalhador e a manutenção do poder de compra das famílias. Segundo a entidade, a mudança exigiria novas contratações para cobrir as lacunas de escala, elevando a folha de pagamento em um setor que já opera com margens estreitas.

O impacto no bolso do blumenauense

O vice-presidente da Abras, Márcio Milan, destacou que o setor já iniciou projetos-piloto para medir os impactos reais. Para quem faz compras nos grandes atacarejos e supermercados de bairro da Vila Nova, Itoupava Central ou Garcia, o impacto pode ser sentido no valor final da cesta básica.

"Estamos avaliando a necessidade de novas contratações e os possíveis efeitos sobre os custos", afirmou a entidade em nota. No cenário atual, os supermercados são considerados serviços essenciais e funcionam sete dias por semana. Sem a escala 6x1, o setor argumenta que a conta pode não fechar sem o repasse de preços, o que pressionaria a inflação local em 2026.

Movimento já começou em grandes redes

Apesar do alerta de custos, o mercado blumenauense observa movimentos de adaptação. Algumas redes nacionais com presença no Vale já testam a escala 5x2 em unidades específicas, buscando reduzir o "turnover" (rotatividade de pessoal) e melhorar a produtividade. O argumento de defensores da medida é que trabalhadores mais descansados rendem mais e reduzem custos ocultos, como afastamentos médicos.

Por outro lado, o setor produtivo de Santa Catarina, historicamente mais conservador em questões trabalhistas, teme que a medida reduza a competitividade. A expectativa é que o Congresso Nacional leve a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ao plenário em maio, o que mantém o empresariado blumenauense em estado de vigilância.

O que dizem os especialistas e os dados

Diferentes estudos tentam prever o tamanho do impacto:

  • Ipea: Estima que o impacto nos custos operacionais para o comércio seja inferior a 1% se a jornada for reduzida para 40 horas semanais.

  • CNC: Alerta para um custo potencial de R$ 122,4 bilhões ao comércio nacional, o que forçaria o repasse ao consumidor.

  • Varejo Local: Supermercadistas de Blumenau monitoram a decisão com receio de perderem competitividade para o comércio online ou modelos de autoatendimento (self-checkout), que podem ser acelerados pela mudança.

Enquanto o martelo não é batido em Brasília, o consumidor de Blumenau deve ficar atento às variações de preços nas gôndolas, que já refletem a incerteza do setor para os próximos meses.


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Redação

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