Diesel dispara em Blumenau e distribuidoras reduzem entregas em SC

Thursday, 12 March 2026
Sindicato alerta para racionamento e Procon fiscaliza postos de Blumenau após alta causada por conflitos internacionais.
O cenário para quem depende de transporte em Blumenau e região tornou-se crítico nesta semana. Com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, o preço do óleo diesel disparou nas bombas da cidade, chegando a ultrapassar a marca de R$ 8,00 em alguns estabelecimentos — um salto expressivo para um combustível que vinha sendo comercializado na casa dos R$ 6,00. Além do impacto direto no bolso, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sinpeb) confirma que distribuidoras já iniciaram um processo de racionamento nas entregas para os postos de Santa Catarina.
Racionamento logístico e dependência externa
De acordo com o presidente do sindicato, Júlio Zimmermann, a redução nas entregas é uma estratégia das distribuidoras para evitar o desabastecimento total. "Se você pede 20 mil litros, elas entregam 10 mil para garantir que todos recebam um pouco", explicou. O principal motivo é a dependência brasileira da importação: cerca de 40% do diesel consumido no país vem de fora, e a volatilidade do petróleo — que saltou de 86 para 119 dólares o barril — inviabiliza a manutenção dos preços antigos.
Fiscalização intensa nos postos de Blumenau
Diante da velocidade dos reajustes, o Procon de Blumenau iniciou uma força-tarefa em 70 postos de combustíveis da cidade. A operação visa auditar notas fiscais e verificar se os aumentos repassados ao consumidor final estão condizentes com os valores praticados pelas refinarias. O objetivo é coibir práticas abusivas e garantir transparência em um momento de incerteza econômica.
Riscos para o abastecimento e inflação
O setor demonstra forte preocupação com a continuidade do fornecimento caso o conflito persista, especialmente se houver bloqueios no Estreito de Ormuz, via por onde passa 20% do petróleo mundial. Para Blumenau, o impacto não se limita apenas aos postos: a alta do diesel exerce pressão imediata sobre os custos de frete e transporte, o que pode gerar um efeito cascata nos preços de produtos básicos em toda a região do Vale do Itajaí.