Má notícia: Durigan assume com promessa de seguir passos de Haddad

Má notícia: Durigan assume com promessa de seguir passos de Haddad
Foto: Dario vai ter trabalho e as expectativas não são boas (divulgação)

Monday, 23 March 2026

Com a saída de Fernando Haddad para disputar as eleições, seu braço direito assume o comando da economia sob o desafio de equilibrar as contas públicas em ano eleitoral em um governo cujos índices pioram a cada dia.

A dança das cadeiras em Brasília chegou ao seu desfecho previsível. Dario Durigan, até então o "número dois" de Fernando Haddad, foi oficializado como o novo ministro da Fazenda. O anúncio, feito pelo presidente Lula, ocorre no momento em que Haddad se despede da pasta para focar em sua pré-candidatura ao governo de São Paulo. Mas, para quem esperava uma mudança de rumo ou um fôlego novo diante do cenário fiscal delicado, o discurso de posse foi um banho de água fria: Durigan prometeu "continuidade total".

Em sua primeira fala oficial, o novo ministro não economizou elogios ao antecessor, ecoando a narrativa do Planalto de que Haddad foi "o mais exitoso da história". No entanto, a realidade para o bolso do contribuinte e para o mercado financeiro impõe questões que o tom otimista de Durigan tenta omitir. O novo chefe da economia herda um orçamento ajustado em 2% do PIB, mas com a missão ingrata de conter a deterioração das contas em pleno ano eleitoral — período onde, historicamente, a austeridade costuma ceder espaço ao populismo.

O "estilo discreto" de Durigan, egresso do setor privado (ex-diretor do WhatsApp), agora será testado sob os holofotes. Ele elencou como prioridades a agenda digital, a regulação do crédito e a continuidade da reforma tributária. Contudo, o tom crítico se faz necessário ao observar que o foco internacional em "títulos sustentáveis" e "economia verde" parece, por vezes, distante das pressões domésticas imediatas, como o risco de novas tensões com caminhoneiros e a volatilidade dos preços dos combustíveis devido ao cenário externo.

Para o setor produtivo, inclusive para a força industrial de Blumenau e região, a promessa de "continuidade" pode soar como uma manutenção da carga tributária elevada sob o pretexto de justiça social. Durigan assume com o país sob desconfiança do mercado quanto ao cumprimento das metas fiscais. Se ele será o garantidor da estabilidade ou apenas um executor das vontades políticas de um governo em final de mandato, os próximos meses dirão. Por enquanto, a Fazenda segue o roteiro já escrito, sem "gestos heroicos" ou "medidas radicais", como o próprio entorno do ministro já sinalizou.


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Redação

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