Passagens aéreas podem subir 20% após novo reajuste no combustível

Monday, 06 April 2026
Alta do petróleo devido a conflitos internacionais eleva custos operacionais e ameaça oferta de voos regionais.
A alta no preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio, chegou ao bolso dos passageiros que utilizam os aeroportos que atendem Blumenau e o Vale do Itajaí. Com o anúncio da Petrobras de um aumento superior a 50% no preço médio do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras, especialistas do setor alertam que o valor das passagens aéreas pode sofrer um reajuste de até 20% nos próximos meses.
Impacto direto no custo da viagem
O querosene de aviação é o principal insumo das companhias aéreas. Segundo Andre Castelini, sócio da Bain & Company, o combustível representa quase metade das despesas das empresas. "Os gastos para transportar um passageiro por quilômetro vão aumentar aproximadamente 20%", explica o especialista.
Embora não se saiba se o repasse será imediato ou gradual, a tendência é que as empresas avaliem a ocupação dos voos. Para quem viaja a partir do Vale do Itajaí, o alerta é para a possível redução na oferta de horários, já que voos menos rentáveis podem ser cortados para equilibrar as contas das operadoras.
Queda na demanda e o perfil do passageiro
Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, projeta que o cenário mais provável para o aumento das passagens fique em torno de 15%. Ele destaca que o impacto é sentido de formas diferentes:
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Viagens de lazer: Passageiros são mais sensíveis ao preço e tendem a desistir da viagem ou buscar alternativas.
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Viagens de negócios: Essenciais para a economia de Blumenau e região, estas apresentam menor sensibilidade, mas ainda sofrem com a retração da oferta.
O posicionamento do setor e do governo
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) classificou o reajuste como "severo", ressaltando que o combustível passou a representar 45% dos custos operacionais. Em resposta, a Petrobras anunciou um parcelamento para as distribuidoras, tentando suavizar o impacto inicial de abril.
No âmbito federal, o Ministério de Portos e Aeroportos já estuda medidas para conter a crise, como:
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Redução temporária de tributos sobre o QAV.
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Diminuição do IOF para operações financeiras das aéreas.
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Redução do Imposto de Renda sobre o leasing de aeronaves.
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Criação de uma linha de crédito via Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac).
O Ministério da Fazenda informou que monitora o cenário internacional e os reflexos na economia brasileira, reforçando que qualquer medida será analisada sob as regras fiscais vigentes.