Tradicional malharia de Gaspar pede falência após 50 anos de história

Tradicional malharia de Gaspar pede falência após 50 anos de história
Foto: Fachada da empresa (divulgação)

Tuesday, 07 April 2026

Com dívida milionária e crise irreversível, Malhas Isensee encerra operações no polo têxtil do Vale do Itajaí.

O cenário industrial de Blumenau e região sofreu um novo impacto com a confirmação do encerramento de uma trajetória de cinco décadas. A Malhas Isensee, sediada em Gaspar e com forte tradição no mercado de moda infantil e juvenil, teve sua falência decretada pela Justiça. A decisão, assinada pelo juiz Uziel Nunes de Oliveira, da Vara Regional de Falências de Jaraguá do Sul, marca o ponto final para uma empresa fundada em 1975, que sucumbiu a uma crise financeira classificada como irreversível.

O colapso financeiro e a dívida de R$ 46 milhões

O pedido de autofalência foi apresentado pela própria empresa no início deste ano, após o esgotamento das alternativas de viabilidade econômica. De acordo com o processo, a Malhas Isensee acumulou um passivo de R$ 46,7 milhões. A maior fatia deste montante é composta por dívidas fiscais e tributárias, enquanto as obrigações trabalhistas somam aproximadamente R$ 1,4 milhão.

Diferente de outras indústrias que buscam a recuperação judicial, a malharia descartou essa opção pela total falta de caixa e impossibilidade de acesso a crédito. O patrimônio da companhia, que inclui três imóveis, máquinas e equipamentos, já se encontra comprometido por penhoras e averbações judiciais.

Fatores que levaram ao fim da gigante de Gaspar

A diretoria da empresa atribuiu o fechamento a uma "crise estrutural" agravada nos últimos três anos. Entre os principais motivos listados para a Justiça estão:

  • Queda na receita: O faturamento da malharia recuou 50% nos últimos anos.

  • Concorrência externa: A pressão de produtos importados no setor têxtil.

  • Custo operacional: Elevação dos custos de produção e alta carga tributária brasileira.

  • Contração da demanda: Diminuição do consumo no mercado interno.

No momento do encerramento, a Malhas Isensee empregava cerca de 30 colaboradores. A situação reflete os desafios enfrentados por empresas familiares tradicionais que, diante de transformações profundas do mercado e fatores macroeconômicos adversos, não conseguem sustentar o ciclo produtivo.

Destino do patrimônio

Com a decretação da falência, o foco agora volta-se para o inventário e a venda dos ativos — imóveis e maquinário — para o pagamento dos credores, respeitando as prioridades legais. O encerramento da Isensee deixa uma lacuna na memória industrial de Gaspar e reforça o alerta sobre o fôlego das médias empresas no polo têxtil catarinense.


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Redação

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