Conta de luz mais cara: o que você paga além do consumo?

Conta de luz mais cara: o que você paga além do consumo?
Foto: Conta de luz (divulgação)

Thursday, 30 April 2026

Bandeira amarela em maio eleva faturas e acende alerta sobre custos ocultos e encargos do setor elétrico.

O bolso do blumenauense sentirá um novo peso a partir de maio. Após quatro meses de trégua com a bandeira verde, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) confirmou o acionamento da bandeira amarela. Na prática, isso significa uma cobrança extra de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos, podendo elevar o valor final da fatura em até 3%.

A mudança não é por acaso. Com a chegada do período seco e a consequente redução das chuvas, o nível dos reservatórios das hidrelétricas baixa, forçando o país a ligar as termelétricas. Como essas usinas usam combustíveis fósseis, a energia gerada custa mais caro e é mais poluente — custo que é repassado diretamente ao consumidor.

Por que a conta é tão alta mesmo com fontes renováveis?

Muitos moradores de Blumenau e região se questionam: se o Brasil investe tanto em energia solar e eólica, por que o preço não cai? A resposta está na complexidade da fatura. O valor pago mensalmente à concessionária local é composto por três blocos distintos:

  1. Energia Consumida (TE): O valor da eletricidade em si.

  2. Uso da Rede (TUSD): O custo para manter os fios e postes que levam a energia até sua casa.

  3. Encargos e Tributos: Impostos e subsídios que financiam políticas públicas e incentivos a outros setores.

"O consumidor médio geralmente conhece apenas o valor final em reais, mas não entende como se estruturam os encargos e custos de rede", explica Bruno Marques, diretor comercial da Nex Energy. Segundo ele, o fato de o serviço ser uma concessão sem concorrência direta na ponta contribui para essa falta de clareza.

Subsídios e o peso da infraestrutura

Um ponto crucial que mantém as tarifas elevadas são os subsídios cruzados. Isso significa que a conta de luz é usada como instrumento de política pública, onde determinados grupos recebem descontos financiados pelos demais consumidores.

Além disso, a expansão das fontes renováveis nem sempre reflete uma queda imediata no boleto. Isso ocorre porque os custos estruturais e a manutenção do sistema permanecem inalterados, independentemente de a energia vir do sol ou de uma termelétrica.

Alternativas para reduzir o impacto no bolso

Para quem busca fugir das altas taxas sem precisar investir milhares de reais em placas solares próprias, a geração compartilhada tem se tornado uma saída viável em Santa Catarina. O modelo permite que o consumidor utilize créditos de energia de usinas remotas, compensando o valor diretamente na fatura.

Embora não elimine taxas de iluminação pública ou impostos, essa modalidade ajuda a mitigar o custo da energia (TE), oferecendo um fôlego diante da previsão de que a pressão tarifária continue ao longo de 2026, com possibilidade de bandeira vermelha no segundo semestre.


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Redação

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