Saques na poupança superam depósitos em R$ 476,4 mi em abril

Monday, 11 May 2026
Com a taxa Selic em patamares elevados, investidores buscam alternativas mais rentáveis que a caderneta, aponta relatório do Banco Central.
A caderneta de poupança registrou um saldo negativo em abril deste ano, com as retiradas superando os depósitos em R$ 476,4 milhões. De acordo com o relatório mais recente divulgado pelo Banco Central (BC), o volume de aplicações no mês passado foi de R$ 362,2 bilhões, enquanto os saques alcançaram a marca de R$ 362,7 bilhões.
Embora os rendimentos creditados nas contas tenham somado R$ 6,3 bilhões, elevando o saldo total para pouco mais de R$ 1 trilhão, o comportamento do investidor reflete a busca por maior rentabilidade diante do cenário econômico atual. Para o morador de Blumenau e região que busca proteger o patrimônio, os números acendem um alerta sobre a competitividade da poupança frente a outros investimentos de renda fixa.
Impacto da taxa Selic e inflação
Um dos principais motivos para a debandada de recursos é a manutenção da taxa Selic em níveis elevados. Mesmo com o corte recente de 0,25 ponto percentual pelo Comitê de Política Monetária (Copom), fixando a taxa básica em 14,5% ao ano, a poupança torna-se menos atrativa comparada a opções que acompanham diretamente os juros.
O Banco Central utiliza a Selic como ferramenta para controlar a inflação oficial (IPCA), que registrou alta de 0,88% em março, impulsionada pelos custos de transporte e alimentação — itens que pesam diretamente no bolso das famílias catarinenses. Com o IPCA acumulado em 12 meses chegando a 4,14%, a rentabilidade real da poupança continua sendo pressionada.
Histórico de retiradas
A tendência de saques líquidos não é uma novidade de 2026. Nos últimos dois anos, a poupança acumulou perdas significativas: R$ 87,8 bilhões em 2023 e R$ 15,5 bilhões em 2024. Apenas no primeiro quadrimestre deste ano, a retirada líquida já soma R$ 41,7 bilhões. O mercado aguarda agora a divulgação dos dados da inflação de abril pelo IBGE, prevista para a próxima terça-feira (12), para entender os próximos passos da política monetária nacional.