Desenrola 2.0: por que número de endividados voltou a subir?

Desenrola 2.0: por que número de endividados voltou a subir?
Foto: Pessoa analisando uma porção de contas (divulgação)

Monday, 25 May 2026

Economistas analisam os fatores que fizeram a inadimplência acelerar no cenário pós-programa e os limites das renegociações sem mudanças estruturais.

Após o encerramento das primeiras etapas de renegociação de dívidas, muitas famílias que vivem em Blumenau e em todo o país viram o alívio financeiro durar menos do que o esperado. Dados econômicos recentes apontam que o total de endividados voltou a crescer com vigor, motivando debates sobre a eficácia de longo prazo das medidas e impulsionando a necessidade de debates sobre o chamado Desenrola 2.0. Mas afinal, por que a inadimplência voltou a acelerar mesmo após a queda inicial proporcionada pelo programa?

De acordo com o economista Tiago Velloso, o juro atua diretamente como o "custo do dinheiro". Ele aponta que o cenário pós-Desenrola combinou problemas herdados do período da pandemia com novas questões da economia mundial. "Se o dinheiro está caro, tende a haver mais inadimplência, mas esse não é o único fator", afirma o especialista.

Inclusão digital sem educação financeira

Outro ponto crítico destacado por analistas é a velocidade com que o acesso ao crédito foi ampliado. O país registrou uma digitalização bancária extremamente rápida nos últimos anos, permitindo que renegociações e contratações fossem feitas majoritariamente pelo celular — um movimento liderado em grande parte por mulheres e pelo público na faixa dos 35 a 44 anos.

Contudo, essa facilidade digital não veio acompanhada de uma educação financeira estruturada. Como consequência, o acesso a novas linhas de crédito aconteceu antes mesmo de as pessoas estarem devidamente preparadas para gerir esses recursos, reinserindo os consumidores em uma dinâmica de consumo de risco.

O peso dos juros e o orçamento familiar

A primeira edição do programa governamental chegou a gerar um impacto positivo relevante: entre o público elegível, a inadimplência caiu 8,7%, segundo dados oficiais do governo federal. No entanto, o efeito perdeu força à medida que as taxas de juros voltaram a crescer, encarecendo novamente o crédito.

Além disso, analistas reforçam que, logo após o término dos prazos de renegociação, grande parte da renda mensal das famílias continuou severamente comprometida por gastos básicos inevitáveis do dia a dia, tais como:

  • Alimentação;

  • Moradia;

  • Transporte.

Sem margem financeira no orçamento para arcar com as parcelas renegociadas e com as despesas de subsistência, muitos brasileiros acabaram empurrados de volta para o ciclo de restrição de crédito.

Limites estruturais do programa

Especialistas e analistas de mercado avaliam que o efeito de iniciativas como o Desenrola é inerentemente limitado se não houver transformações mais profundas na economia. "Programas como o Desenrola são importantes como incentivo, mas, isoladamente, não resolvem o problema", apontam analistas.

A crítica central reside no fato de que, sem reformas estruturais que melhorem a renda ou barateiem o custo de vida, essas medidas paliativas funcionam apenas para reinserir temporariamente o cidadão no sistema financeiro, abrindo margem para que novos ciclos de endividamento se repitam logo em seguida.


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Redação

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