Blumenauense pode usar FGTS para pagar dívidas a partir desta semana

Thursday, 28 May 2026
Com 75% das famílias endividadas em SC, especialista alerta para armadilhas antes de limpar o nome no Desenrola Brasil.
A inadimplência das famílias catarinenses subiu pelo segundo mês consecutivo, atingindo o patamar de 27,3% com contas em atraso, segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC). Em Blumenau e no estado, o endividamento geral já atinge 75,1% da população, sendo o cartão de crédito o grande vilão, presente em 88,4% dos casos. É neste cenário crítico que começa a funcionar, a partir desta semana, a nova fase do Desenrola Brasil, que permite a utilização do saldo do FGTS para quitar as pendências financeiras.
Para Roberto Pereira, especialista em planejamento financeiro e investimentos e fundador da ATEX Investimentos, o programa federal abre uma janela real de alívio para o bolso dos catarinenses. No entanto, o especialista faz um alerta rígido aos trabalhadores da nossa região: quem não mudar o comportamento após a quitação voltará rapidamente à estaca zero.
Como funciona o resgate do FGTS no Novo Desenrola Brasil
As regras estabelecidas pelo governo federal permitem que o trabalhador utilize até 20% do saldo do FGTS ou o limite de R$ 1 mil para abater débitos de:
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Cartão de crédito
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Cheque especial
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Carnês de comércio
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Financiamentos em geral
Aderem ao programa trabalhadores com renda de até R$ 8.105. O procedimento é feito diretamente pelo aplicativo oficial do Fundo de Garantia, eliminando a necessidade de o cidadão de Blumenau se deslocar até uma agência bancária. A expectativa do governo é injetar R$ 8,2 bilhões na economia do país através da medida.
Troca de juros abusivos por taxas menores
A lógica econômica do programa é vantajosa. Atualmente, o cartão de crédito — que lidera as dívidas em SC — cobra juros que ultrapassam os 400% ao ano. Por meio do Desenrola Brasil, as famílias encontram condições de renegociação com taxas de até 1,99% ao mês, além de descontos que podem alcançar 90% do valor original da dívida.
Roberto Pereira, que atende de perto o perfil dos devedores catarinenses, destaca que o problema local raramente é a falta de emprego.
"O padrão se repete: pessoa empregada, com renda razoável, porém consumindo crédito caro sem estratégia de saída. O problema não é a dívida em si. É que a maioria das pessoas usa o crédito para fechar o mês, e não para construir algo", pontua o fundador da ATEX Investimentos.
Para ele, o Desenrola possibilita trocar juros abusivos de 10% ao mês por um planejamento real de limpeza do nome.
O risco do sintoma e a falta de educação financeira
Embora o uso do FGTS seja considerado legítimo por Pereira por se tratar de uma proteção ao trabalhador em momentos de crise, ele adverte que o programa ataca o sintoma agudo, mas não cura a doença. O dado de que 11% das famílias de Santa Catarina afirmam não ter qualquer condição de pagar o que devem sinaliza que a questão vai além das taxas altas.
O avanço tecnológico e a inclusão bancária promovida por fintechs como Nubank, PagSeguro e Mercado Livre facilitaram o acesso ao crédito no país, mas o processo ocorreu sem o acompanhamento da educação financeira. "Mais acesso, mais dívida, menos planejamento", resume o especialista.
Para evitar o retorno à inadimplência, Pereira recomenda três passos práticos:
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Mapeie tudo o que deve: O alívio de quitar uma conta pelo Desenrola não pode camuflar outras pendências existentes. Faça um pente fino nas finanças.
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Corte o acesso fácil ao crédito caro: Reduza limites, renegocie linhas e evite usar o cheque especial e o rotativo do cartão, que funcionam como armadilhas.
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Construa uma reserva financeira: Guardar qualquer quantia, por menor que seja, é o que impede o trabalhador de recorrer ao crédito caro na primeira emergência.
Alerta para as despesas na Copa do Mundo
O início da liberação do FGTS coincide com a proximidade da Copa do Mundo, um gatilho emocional perigoso para o consumo. Pesquisas indicam que os brasileiros tendem a elevar os gastos com itens supérfluos durante o evento esportivo.
O alívio de ter limpado o nome pode gerar uma falsa sensação de segurança financeira no comércio de Blumenau e região.
"Na Copa, o Brasil inteiro quer comemorar e tudo bem comemorar. O problema é o rotativo do cartão bancar toda a festa. Depois que o hexa vier, começa novamente o drama da bola de neve das dívidas. O Desenrola limpa o campo. Mas o jogo financeiro de verdade começa depois do apito final", conclui Roberto Pereira.