Família Hering quer a marca de volta e articula plano de compra

Wednesday, 24 June 2026
Tradicional linhagem blumenauense aciona banco para negociar independência da grife dos dois peixinhos e retomar o controle societário.
A icônica marca dos "dois peixinhos", símbolo máximo da força têxtil de Blumenau, pode protagonizar uma histórica reviravolta no mercado da moda nacional. Membros da tradicional família Hering estão se articulando nos bastidores para reaver o controle da companhia, hoje sob a gestão da gigante Azzas 2154. O objetivo do grupo de acionistas fundadores é restabelecer a independência da grife blumenauense, desvinculando-a da atual holding.
De acordo com informações publicadas originalmente pelo Pipeline, site de negócios do Valor Econômico, um grupo de acionistas que detém 11% do capital social da Azzas, liderado diretamente pela família Hering, contratou o banco BR Partners para capitanear as negociações. Uma abordagem inicial já teria sido feita junto ao conselho de administração e aos assessores financeiros da Azzas.
Os detalhes da proposta de cisão
Ainda conforme a apuração do Pipeline, o grupo liderado pela linhagem blumenauense está inclinado a formalizar uma proposta firme de compra da Hering ou, alternativamente, ampliar sua participação na empresa por meio de um processo de cisão de marcas. Essa operação ocorreria sem afetar outros acionistas minoritários, estruturada a partir da troca proporcional de papéis nos demais ativos que compõem a Azzas. Embora o conselho já tenha sido avisado de que a proposta está em desenvolvimento, a oferta formal ainda não foi apresentada.
Procurada pelo Pipeline, a Azzas 2154 declarou que não comenta especulações de mercado e enfatizou que a grife Hering não está à venda.
Cenário interno conturbado e queda em receitas
O movimento da família fundadora ocorre em um momento societário complexo para a Azzas 2154, marcado por conflitos de governança e disputas internas entre seus dois principais sócios. O ambiente instável fez com que o grupo inclusive contratasse assessoria para avaliar a venda de outra bandeira de peso de seu portfólio, a grife Farm.
Além disso, a gestão da Hering viveu um marco histórico recente: em outubro do ano passado, a grife blumenauense deixou de ter o DNA de sua família fundadora na linha de frente pela primeira vez em 145 anos de história, após a Azzas anunciar o desligamento de Thiago Hering do comando da unidade Basic — divisão que lidera o carro-chefe da empresa. No campo financeiro, os resultados recentes apontam desafios, com o conjunto de marcas da Hering registrando uma retração de 19% na receita ao longo do primeiro trimestre deste ano.
Histórico recente de fusões no varejo
A atual tentativa de retomada representa um novo capítulo após uma sequência de transações milionárias que agitaram o varejo. Em abril de 2021, o conselho da Cia. Hering chegou a rejeitar uma oferta de compra de R$ 3,3 bilhões feita pela Arezzo, controlada pelo empresário Alexandre Birman (atual presidente da Azzas), por considerá-la ruim.
Apenas duas semanas depois, a empresa aceitou uma contraproposta do Grupo Soma estipulada na casa dos R$ 5 bilhões. Contudo, o mercado acabou unindo Arezzo e Soma três anos mais tarde em uma fusão que, até o momento, tem se mostrado confusa e com dificuldades para capturar as sinergias projetadas inicialmente pelos investidores.