Geração nem-nem cresce no Brasil

Friday, 26 June 2026
Relatório nacional aponta que 6,2 milhões de jovens de 14 a 24 anos enfrentam desocupação e falta de acesso aos estudos.
A realidade do mercado de trabalho para as novas gerações ganhou um panorama desafiador e que exige atenção de gestores, empresários e educadores de todo o país, inclusive no forte polo econômico de Blumenau e do Vale do Itajaí. Um relatório divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego revelou que o Brasil contabiliza atualmente 6,2 milhões de jovens entre 14 e 24 anos na condição conhecida como "nem-nem" — pessoas que não estudam e também não trabalham. O contingente representa 18,8% do total de 32,9 milhões de jovens nessa faixa etária que vivem no país.
A análise técnica detalha que o número de jovens nessa situação registrou um salto de 700 mil indivíduos apenas no primeiro trimestre de 2026. Segundo o Ministério do Trabalho, essa flutuação é motivada por fatores sazonais característicos do período de início de ano, momento marcado pelo encerramento em massa de contratos temporários de trabalho e pelo período de rematrículas e recomeço do calendário escolar.
Divisão da população jovem e superação do patamar pré-pandemia
O mapeamento demográfico e ocupacional realizado pelo governo federal distribui a população de 14 a 24 anos em quatro frentes distintas:
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Apenas estudam: 12,8 milhões de jovens (equivalente a quatro em cada dez membros desse grupo);
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Apenas trabalham: 9,6 milhões (29,1% do total);
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Estudam e trabalham: 4,3 milhões (13,2% do total);
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Não estudam nem trabalham: 6,2 milhões (18,8% do total).
Apesar do expressivo volume de jovens sem colocação ou matrícula ativa, o mercado de trabalho nacional exibe uma vertente de recuperação volumétrica. O total de jovens ocupados atingiu a marca de 13,9 milhões. Esse índice supera o patamar pré-pandemia, registrando 569 mil trabalhadores a mais do que o registrado em dezembro de 2019 — último trimestre que operou sem os impactos econômicos da covid-19. Conforme ressaltado pelo órgão ministerial, a retomada dos postos é consistente, mudando o foco do desafio para a qualidade e a retenção desses profissionais em suas vagas.
Formalização e as barreiras do desemprego
A taxa de formalização atingiu o patamar de 57,8% dos ocupados com até 24 anos, o que significa que cerca de 8 milhões de jovens trabalham com carteira assinada. Por outro lado, quatro em cada dez permanecem na informalidade. O perfil dos trabalhadores sem carteira assinada aponta para uma maior concentração entre jovens de menor nível de escolaridade e residentes nas regiões Norte e Nordeste.
Em termos de desocupação ativa (pessoas que buscam trabalho, mas não encontram), o índice da juventude expõe uma distância severa em relação à média geral da população brasileira. Enquanto a taxa de desemprego geral do país se posiciona em 5,8%, os indicadores por faixa etária revelam:
Jovens de 18 a 24 anos: Taxa de desemprego de 13,8% (representando 2,7 milhões de pessoas);
Adolescentes de 14 a 17 anos: Taxa de desemprego de 25,1% (representando 586 mil pessoas).
Concentração em vagas de baixa especialização
As contratações dessa fatia da população estão fortemente restritas a poucos setores. Quase 60% dos jovens empregados exercem funções operacionais na área de escrituração ou no varejo. De acordo com o Ministério do Trabalho, as cinco ocupações que lideram o ranking de contratações de jovens são:
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Balconistas e vendedores de lojas: 1,24 milhão de profissionais;
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Escriturários gerais: 1,07 milhão de profissionais;
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Auxiliares de construção civil: 394 mil profissionais;
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Recepcionistas: 391 mil profissionais;
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Caixas de comércio: 367 mil profissionais.
O diagnóstico final do Ministério do Trabalho alerta que a alta concentração em funções de baixa especialização no comércio e no setor de serviços, que geralmente ofertam remunerações próximas ao salário mínimo, configura-se como a principal causa para a baixa permanência das contratações e para a dificuldade de ascensão na carreira profissional desse público.