Dinheiro tira o sono e eleva estresse de 47% dos brasileiros

Dinheiro tira o sono e eleva estresse de 47% dos brasileiros
Foto: Reprodução

Monday, 29 June 2026

Levantamento da Anbima em parceria com o Datafolha mostra o impacto das dívidas e da pressão financeira na saúde mental e no cotidiano das famílias.

A preocupação com o bolso e o equilíbrio das contas tornou-se um dos principais fatores de desgaste emocional para a população. Uma pesquisa realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha revela que 47% dos brasileiros enfrentam um nível alto de estresse financeiro. O impacto vai além do orçamento e afeta diretamente a qualidade de vida, contaminando o descanso e a harmonia familiar.

Para traçar esse panorama, o levantamento avaliou a reação dos entrevistados a frases sobre comportamento financeiro e os reflexos disso na rotina. O resultado aponta que outros 48% da população registram um nível médio de estresse provocado pelas finanças pessoais, consolidando o tema como uma das maiores pressões do cotidiano atual.

Os reflexos no sono, no trabalho e no lar

A pesquisa quantifica como o aperto financeiro restringe o bem-estar e se desdobra em sintomas físicos e sociais. Entre os principais achados sobre o comportamento dos entrevistados, destacam-se:

  • Distúrbios do sono: As contas e pendências financeiras atrapalham o sono de 37% dos participantes.

  • Sobrecarga de trabalho: A necessidade de quitar os compromissos mensais faz com que 49% afirmem trabalhar em excesso.

  • Conflitos familiares: As divergências e dificuldades com dinheiro são apontadas como motivo de discórdia e brigas dentro de casa por 29% das pessoas.

De acordo com Marcelo Billi, superintendente de educação da Anbima, a junção entre o endividamento e a barreira para poupar ou investir compromete a capacidade cognitiva e a produtividade dos cidadãos, dificultando a tomada de decisões e a resolução de problemas básicos.

Recortes sociais e o ciclo do endividamento

O estudo também identifica os grupos mais atingidos por essa pressão. As mulheres representam 53% das pessoas que se enquadram na faixa de alto estresse financeiro. Quando analisada a faixa etária, o grupo entre 45 e 64 anos concentra 37% dos entrevistados com os maiores índices de desgaste por razões econômicas.

A pesquisa associa esse quadro ao histórico de atrasos de parcelas e contas, lembrando que o volume de pessoas com dívidas atrasadas no período anterior (2025) correspondeu a 29% da população. O superintendente aponta que um dos principais agravantes desse ciclo vicioso é o isolamento, já que o endividado tende a ignorar o problema e deixa de dialogar sobre as finanças com parentes e amigos, atrasando a busca por saídas viáveis.


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Redação

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