SC fecha maio com saldo negativo de empregos

Thursday, 02 July 2026
Estado conhecido como "terra do emprego" sofreu impacto econômico e sazonal, mas o cenário regional em Blumenau seguiu no positivo.
Apesar de Santa Catarina ser amplamente reconhecida como a "terra do emprego", o mês de maio trouxe um resultado surpreendente para a economia do estado, que fechou o período com um saldo negativo de -662 vagas formais de trabalho. Contudo, na contramão da retração estadual e das perdas registradas em grandes polos governamentais e industriais catarinenses, Blumenau conseguiu resistir ao recuo generalizado e encerrou o mês com um saldo positivo de 35 novos postos de trabalho.
Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho. Embora maio historicamente não seja um mês de forte expansão na geração de vagas, a queda no estado acendeu um alerta para analistas e empresários da região, apontando para desafios macroeconômicos de ordem interna e internacional.
Os fatores por trás do recuo em Santa Catarina
O desempenho negativo no estado foi fortemente influenciado por dois componentes principais: o cenário econômico adverso e fatores sazonais.
Internamente, a combinação de juros e inflação elevados tem pressionado o comércio e as vendas gerais. Esse enfraquecimento do consumo interno reverbera de forma direta no setor produtivo, resultando em uma diminuição no volume de pedidos direcionados às indústrias.
No âmbito global, as barreiras comerciais também pesaram. O mercado catarinense sentiu os reflexos do "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos, somado à perspectiva de novas elevações de tarifas norte-americanas projetadas para este mês de julho.
Desempenho por setores e o impacto no mercado
A análise setorial do Caged mostra que as perdas estaduais ficaram concentradas em três áreas específicas:
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Agropecuária: registrou o pior desempenho, com o fechamento de 1.004 vagas. O resultado foi motivado pela sazonalidade, puxado especialmente pelo término da colheita de uva no município de São Joaquim.
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Construção civil: encerrou maio com saldo negativo de 562 postos. O setor enfrenta o peso dos juros e da inflação alta, além de sofrer um impacto indireto do próprio agronegócio: grandes produtores rurais, que costumam investir fortemente no mercado imobiliário do litoral catarinense, viram suas receitas diminuírem devido à queda nos preços dos grãos.
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Comércio: apresentou uma retração menor, com o fechamento de 100 vagas formais.
Por outro lado, o segmento de serviços sustentou um saldo positivo de 892 vagas no estado, acompanhado pela indústria, que abriu 112 novos postos de trabalho.
Especialistas e representantes das grandes agroindústrias de Santa Catarina apontam que o saldo do Caged em maio poderia ter sido positivo se houvesse mão de obra disponível. Diversas corporações do setor relatam manter centenas de vagas abertas no estado, mas enfrentam sérias dificuldades pela escassez de candidatos para preenchê-las.
O panorama nas cidades e o acumulado do ano
A dinâmica do mercado de trabalho variou substancialmente entre as principais cidades do estado em maio. Enquanto Florianópolis teve o pior desempenho, com saldo negativo de -353 vagas, e Joinville registrou um recuo de -71 postos, outros municípios conseguiram manter o ritmo de contratações. Itajaí liderou o saldo positivo com 283 novos empregos, seguida de perto por Chapecó, que abriu 272 vagas, e Blumenau, que garantiu estabilidade regional ao somar 35 vagas ao seu mercado formal.
O cenário nacional seguiu a mesma tendência de desaceleração verificada em solo catarinense. O Brasil registrou a abertura de 72.960 novos postos de trabalho, montante que ficou abaixo do que era esperado pelo mercado financeiro. De acordo com o governo federal, as justificativas para esse ritmo contido coincidem com os problemas estaduais: a persistência dos juros altos e as tensões na conjuntura internacional provocadas pelas tarifas dos Estados Unidos.
Apesar do tropeço pontual verificado em maio, o balanço de longo prazo do mercado de trabalho de Santa Catarina ainda demonstra resiliência. No acumulado total do ano, o estado mantém uma posição robusta e acumula um saldo altamente positivo de 61.615 novos empregos formais gerados.