Como a Karsten superou a falência no Testo Salto

Como a Karsten superou a falência no Testo Salto
Foto: Divulgação

Monday, 20 July 2026

Longe de fechar as portas após abandono de sócios e enchente, marca centenária de Blumenau fatura hoje mais de R$ 900 milhões.

Quando a falência parecia o único caminho inevitável no final do século XIX, a insistência de um imigrante alemão no bairro Testo Salto mudou para sempre os rumos da indústria em Blumenau. Abandonado pelos sócios após anos de reveses e crises de matéria-prima, Johann Karsten recusou-se a desistir da tecelagem que havia fundado. Hoje, aos 144 anos de história, a centenária Karsten figura como a sexta empresa mais longeva do Brasil e movimenta uma receita líquida anual de R$ 913 milhões.

Da enchente de 1880 aos primeiros teares importados

A trajetória da família Karsten na região começou em 1861, quando desembarcaram no Brasil a convite do fundador da colônia, Dr. Hermann Blumenau. Instalados às margens do Ribeirão do Testo, onde hoje se consolida o bairro Testo Salto, os pais de Johann ergueram uma serraria. No entanto, em 1880, uma grande enchente destruiu completamente o negócio familiar.

Determinado a reerguer a família, o filho mais velho, Johann Karsten, reuniu suas escassas economias e firmou sociedade em 1881 com os amigos Emil Hadlich e Hermann Roeder. No ano seguinte, em 1882, nascia a Tecelagem Roeder, Karsten & Hadlich.

Movida pela força das águas do Rio Itajaí-Açu, a empresa iniciou as operações com apenas três teares trazidos da Alemanha, produzindo tecidos grossos e resistentes.

Falha no algodão e a saída dos sócios

A consolidação da fábrica enfrentou severos obstáculos logísticos. A tentativa de cultivar algodão em Blumenau frustrou-se devido ao clima chuvoso da cidade. Até mesmo a lã de ovelha foi testada para a fiação, mas sem sucesso. A única alternativa era a importação de insumos por transporte marítimo, o que gerava custos elevados e meses de espera.

Diante do cenário desfavorável, os sócios decidiram encerrar a parceria seis anos após a fundação, em 1888. Sozinho no comando, Johann identificou uma demanda crescente por artigos para o lar e reestruturou a produção, passando a fabricar itens como panos de copa.

A transição familiar e a expansão fabril

Com o eclosão da Primeira Guerra Mundial, os operários da tecelagem precisaram retornar ao trabalho no campo. Nesse período crítico, os filhos de Johann, Christian e João Karsten, assumiram a gestão do empreendimento.

Com o fim do conflito e a recuperação econômica, a empresa transformou-se em Sociedade Anônima sob a liderança de João, sendo mais tarde gerida por seus filhos, Walter e Half.

Ao longo de mais de um século, a Karsten acompanhou marcos históricos e diversificou continuamente sua linha de produtos:

  • 1916: Início da produção de toalhas de mesa.

  • 1941: Lançamento da linha de tecidos para decoração.

  • Década de 1970: Abertura do capital e início das operações de exportação.

  • 1983: Entrada no segmento de artigos de cama.

  • 1990: Introdução de tecidos planos e felpudos em jacquard.

  • Anos 2000: Liderança nacional na exportação de produtos têxteis.

  • 2010: Aquisição da marca paulistana de luxo Trussardi.

Presença global com raízes no Testo Salto

Atualmente, o pequeno galpão inicial deu lugar a um parque fabril de mais de 130 mil metros quadrados de área construída em Blumenau. O casarão histórico construído ao lado da fábrica por um dos filhos do fundador permanece preservado e tombado como patrimônio histórico.

A estrutura operacional da Karsten abrange:

  • Empregos: Cerca de 2,5 mil colaboradores diretos.

  • Unidades industriais e logísticas: Unidade fabril em Ibirama (Alto Vale do Itajaí), fábrica no Paraguai e centro de distribuição em Gaspar.

  • Vendas: Mais de 7 mil pontos de venda no Brasil, presença em mais de 20 países e lojas próprias espalhadas por cidades como Blumenau, Balneário Camboriú, Florianópolis, Porto Belo, Curitiba, Londrina, Campo Largo e São Paulo.


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Redação

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