Tarifaço dos EUA: indústrias em SC e no país buscam saída

Thursday, 23 July 2026
Com alíquota de 25% em vigor, setores atingidos tentam diversificar mercados, alertam para demissões e cobram medidas de socorro ao governo federal.
A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos acendeu o sinal de alerta no setor produtivo nacional e nos principais polos industriais de Santa Catarina e do país. Diante do novo cenário comercial, empresas tentam encontrar alternativas para amenizar as perdas, enquanto entidades empresariais cobram ações emergenciais do governo federal para proteger a competitividade, a renda e os empregos do setor.
Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova alíquota afeta cerca de 18% de todas as exportações do Brasil para o mercado norte-americano. O impacto financeiro direto é calculado em aproximadamente US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 37,7 bilhões).
Impacto nos polos produtivos e risco aos empregos
A busca por novos parceiros internacionais tem sido apontada como caminho prioritário, mas líderes industriais reforçam que a transição não ocorre de forma rápida. A abertura de novos mercados exige tempo, consolidação de confiança e altos investimentos, além de esbarrar na concorrência global acirrada, já que outros países também buscam alternativas ao protecionismo norte-americano.
Um dos segmentos mais atingidos é o setor moveleiro, que destina cerca de 30% de suas vendas externas aos Estados Unidos. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), os reflexos das barreiras comerciais já resultaram em uma onda de corte de vagas. Polos industriais em Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais acumulam aproximadamente 10 mil demissões desde o ano passado.
No setor calçadista, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) aponta que as empresas vinham conseguindo absorver parte dos custos extras negociando diretamente com importadores em 2025. Contudo, com a nova rodada de tarifas estabelecida em 2026, essa estratégia de divisão de custos tornou-se insustentável para o fôlego financeiro das fábricas.
Propostas levadas ao governo federal
Diante do agravamento da crise, representantes da indústria intensificaram o diálogo com o Executivo federal. Em reuniões com o governo, foram apresentadas propostas para mitigar os impactos financeiros e fortalecer o mercado interno frente à concorrência de produtos importados:
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Fortalecimento do Reintegra: ampliação da devolução de tributos pagos ao longo da cadeia de produção voltada à exportação.
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Crédito-prêmio à exportação: criação de mecanismos de compensação tributária para desonerar as vendas externas.
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Diferimento tributário: concessão de prazos estendidos para o pagamento de impostos federais pelas empresas afetadas.
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Defesa do mercado interno e reciprocidade: adoção de instrumentos legais para conter o avanço desmedido de importações — inclusive via comércio eletrônico — e avaliação do uso da Lei da Reciprocidade Econômica.
Para o setor têxtil e de confecção, representado pela Abit, a prioridade imediata envolve manter os canais diplomáticos abertos para buscar soluções equilibradas, sem deixar de combater os gargalos históricos do chamado "Custo Brasil", garantindo estabilidade às empresas e preservando a força de trabalho nacional.