Informalidade atinge 37,5% no país e desafia mercado de trabalho

Informalidade atinge 37,5% no país e desafia mercado de trabalho
Foto: Divulgação

Friday, 28 August 2026

Mesmo com recorde de carteiras assinadas, contingente de trabalhadores informais chegou a 38,8 milhões no trimestre encerrado em julho, impulsionado por autonomia e fatores estruturais.

O mercado de trabalho brasileiro vive um cenário de dupla face. Embora o país tenha alcançado o recorde de 39,4 milhões de empregos com carteira assinada no trimestre encerrado em julho, a taxa de informalidade avançou para 37,5%, contra 37,2% no trimestre terminado em abril. Na prática, o índice representa um contingente de 38,8 milhões de brasileiros ocupados em atividades informais. Os dados oficiais foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para Blumenau e o restante da região catarinense — polo reconhecido pela força industrial e de serviços —, o reflexo desse cenário nacional é acompanhado de perto por empreendedores, trabalhadores autônomos e líderes locais que sentem na rotina econômica os impactos das transformações nas relações de trabalho.

De acordo com o gerente da Pnad Contínua, William Kratochwill, o resultado reflete características estruturais típicas de economias em desenvolvimento, como o Brasil. "Quando olhamos para países desenvolvidos, os trabalhadores por conta própria são uma parcela muito pequena da população ocupada. É um passo adiante que a economia tem que dar para que nós tenhamos uma ocupação informal menor", ponderou o técnico do IBGE.

O levantamento detalha que grande parte dos trabalhadores inseridos nessa estatística atua por conta própria. "São pessoas que não têm uma ocupação e partem para a alternativa de conseguir um rendimento, que é formar um próprio negócio no comércio, comércio ambulante e prestação de serviços de forma autônoma", explicou Kratochwill.

A resiliência do emprego em meio a um ambiente macroeconômico desafiador também está atrelada a fatores estruturais apontados por especialistas. Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, o avanço dos aplicativos de prestação de serviços e o envelhecimento populacional figuram entre os principais vetores que estimulam essa modalidade de ocupação no país.

Enquanto o cenário nacional se ajusta a essas novas dinâmicas, o mercado regional em Santa Catarina segue monitorando os reflexos do avanço autônomo sobre a geração de renda, a formalização de microempreendimentos e as perspectivas para os próximos meses.


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Redação

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