35% dos empreendedores do país se formalizam

35% dos empreendedores do país se formalizam
Foto: Divulgação

Thursday, 24 September 2026

Dados da Pnad do IBGE mostram avanço histórico na formalização de negócios e reflexos no ecossistema de Blumenau.

Em um movimento de transformação no perfil dos negócios em todo o país — que reflete diretamente na rotina econômica e no ecossistema empreendedor de Blumenau e do Vale do Itajaí —, o Brasil alcançou o patamar de 35% de empreendedores formalizados com o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). O número representa um marco histórico: são 10,7 milhões de trabalhadores atuando formalmente no mercado.

Os dados fazem parte de uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo mapeou a evolução do ambiente de negócios de 2012 a 2025 (com interrupção apenas em 2020 e 2021 em razão da pandemia). Em 2012, no início do levantamento, o percentual de empreendedores com CNPJ era de 24%, saltando para 29,3% em 2019 e 33,6% em 2024, até atingir o topo da série histórica. Apesar da evolução, cerca de 20 milhões de trabalhadores (65%) permanecem atuando sem o registro formal.

Empregadores e trabalhadores autônomos

O IBGE divide o grupo de empreendedores em duas categorias: os empregadores (que possuem ao menos um funcionário) e os trabalhadores por conta própria. Entre os empregadores, a taxa de formalização se mantém consolidada em patamar elevado há anos, registrando 81,1% com CNPJ.

Já no grupo dos trabalhadores por conta própria, a formalização atingiu a marca recorde de 27,1% (em 2012, o índice era de apenas 15%). O levantamento revelou uma relação direta entre o nível de escolaridade e o registro profissional: pela primeira vez, mais da metade (50,8%) dos autônomos com ensino superior completo possuem CNPJ. No grupo com ensino médio completo ou superior incompleto, o índice é de 29,7%. Nas faixas com menor instrução, as taxas caem para 18,6% (fundamental completo) e 11% (sem instrução ou fundamental incompleto).

Segundo o analista da pesquisa do IBGE, William Kratochwill, programas de desburocratização como o Microempreendedor Individual (MEI) têm papel fundamental no estímulo à legalização das atividades. A modalidade facilita a abertura de contas bancárias, emissão de notas fiscais, acesso a crédito e direitos previdenciários, vantagens decisivas para impulsionar a economia local e fortalecer a formalização no comércio e serviços.

Sectores com maior taxa de registro formal

Entre as áreas econômicas analisadas pelo levantamento, duas registraram índices de formalização por CNPJ superiores à média nacional:

  • Comércio e reparação de veículos: 36,7%

  • Serviços: 33,5%

  • Indústria geral: 22,8%

  • Construção civil: 14,8%

  • Agropecuária, pesca e silvicultura: 6,5%

Além disso, o estudo constatou queda na adesão ao cooperativismo (passando de 6,3% em 2012 para 4,7%) e estabilização no número de trabalhadores sindicalizados (8,8%, somando 9,1 milhões de pessoas). A análise aponta que a baixa adesão dos jovens e o afastamento de profissionais com mais de 40 anos vêm remodelando a representação laboral no país.


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Redação

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